Boa noite estrelas!
A resenha de hoje, em parceria com a Editora Prumo, refere-se à obra nacional “Pauliceia de Mil Dentes”, da autora Maria José Silveira.
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| Creio que seja o Erasmo na capa |
Título: Pauliceia de Mil
Dentes.
Autor(a): Maria
José Silveira.
Edição: 1ª.
ISBN: 978857927240
Editora: Prumo.
Ano de Lançamento: 2012.
Páginas: 334.
Edição: 1ª.
ISBN: 978857927240
Editora: Prumo.
Ano de Lançamento: 2012.
Páginas: 334.
Peso: 415
gramas.
Preço sugerido:
R$ 39,90.
Sinopse: 'Pauliceia de mil dentes' é um romance sobre
uma cidade - a São Paulo contemporânea. A ficção tem retratado mais o lado
marginal e caótico dessa que é a sexta maior cidade do mundo, mas este romance
visa não se limitar a isso. Seus personagens trabalham, amam, se alegram e
entrelaçam suas histórias no gigantesco painel que compõe a megalópole amada
por uns, odiada por outros. O romance se estrutura em torno de uma invasão a um
famoso escritório de advocacia por um jovem de família tradicional paulista,
que faz duas reféns - a ex-namorada e a faxineira da firma. Os capítulos são
intercalados por cenas com personagens secundários que se conectam aos
principais e mostram diferentes tipos de vida e dramas que se encontram e se
afastam nas pulsões e movimentos dessa megalópole.
Resenha: Fui
contemplado com uma unidade desse lançamento da Editora Prumo. Até então não
tinha lido nada deles, nem da autora em questão, e estava afim de ler alguma
obra nacional. Foi uma excelente experiência. É um livro impossível de se
enquadrar em um único gênero, pois dentro das páginas você encontra
praticamente um pouco de TUDO.
A trama tem como pano de fundo a grandiosa cidade de São Paulo e tudo o
que ela abrange, dando um enfoque significativo na diversidade social/cultural.
Motoboy, empregada doméstica, empresário, estilista, advogado, motorista,
transexual, prostituta, cabeleireiro, viciado, psicólogo, etc.
A abordagem central e fator que todos os personagens tem algum tipo de
ligação é um crime, no qual um jovem (Arturito) obcecado pela ex-namorada
(Tsuki) invade o prédio no qual ela trabalha e a faz refém juntamente com a
empregada do escritório (Escarlete) que ainda estava lá no momento que ele
chega. Porém não é uma narrativa comum, não segue uma ordem cronológica apenas
até findar a história.
Começa com o capítulo do Lúcio Li (estilista, nordestino, marido de
Dalila que é advogada chefe no escritório onde ta ocorrendo o crime),
descrevendo a história dele, como ele chegou até São Paulo, como se tornou um
grande estilista reconhecido mundialmente, até o momento que junto de sua
esposa Dalila toma conhecimento do seqüestro, e ela vai até o prédio prestar
assistência aos policiais que tentam efetuar resgate. Em seguida temos o
capítulo de Erasmo, um motoboy negro, de origem humilde, filho de pais que
vieram de outro estado também para tentar a sorte em São Paulo, que finaliza no
momento que ele fica sabendo do seqüestro de Tsuki, sua atual namorada pelas
mãos de um ex-namorado obsessivo. Tem capítulo de Zuza (pai de Arturito), de Maria
Cristina (tia de Arturito), Maria Amália (mãe de Arturito), da mãe da Tsuki, de
Eliseu (motorista da avó de Arturito e namorado da mãe da Tsuki), do irmão
transexual do Eliseu que conseguiu a documentação de mulher com a Dalila, e por
aí vai. São tantos personagens que você fica até meio perdido! Porém é incrível
o modo com que cada uma das histórias se interligam perfeitamente.
A autora conseguiu ilustrar de maneira espetacular a cidade de São
Paulo em todos os seus aspectos como uma cidade tão grande, mas ao mesmo tempo
pequena. Aquela velha frase popular “que mundo pequeno”.
Além do
mais, entre os capítulos narrados pelo ponto de vista de cada personagem
vivendo sua vida até o ponto em que se encontrem para torcer pela sobrevivência
de Tsuki, sempre há duas páginas pretas com fonte branca narrando a de
Arturito. Doentio, obcecado, inconsolável, completamente maluco por Tsuki e
pronto para fazer alguma loucura. O que pontua bem que na cidade de São Paulo
há tudo: crimes, violência, amor, confiança, engano, traição, riqueza, sucesso,
pobreza, miséria, e mais, e mais. Todos os âmbitos da cidade são retratados de
maneira genial nessa obra.
Dentro do livro há muita riqueza
cultural. Descrição de locais existentes em São Paulo, trechos de músicas
(Racionais, Tom Jobim, Vinícius de Moraes), poesias, trechos de livros
saudosistas de autores paulistanos que eram apaixonados pela cidade, e por aí
vai. Creio que se morasse e conhecesse a cidade de São Paulo melhor de antemão,
seria uma leitura ainda mais deslumbrante, somado a escrita envolvente e agradável que Maria desenvolve. No entanto indico para todos, mesmo
que não sejam paulistanos.
Um fator engraçado é que só reparei que na capa do livro é um
motoqueiro quando estava da metade pra frente. Não sei por que eu havia visto
uma velha anteriormente. Preciso de óculos urgente.
Único motivo de eu classificar 4,5 nesse livro é o fato de conhecer
obras como Crônicas de Gelo e Fogo, Hobbit, Poderoso Chefão, que pra mim são a
elite da literatura, haha. Pra alcançar o patamar desses em minha estante
pessoal tem que ser algo extremamente épico, e o capítulo do Lúcio Li como o
primeiro não achei uma boa escolha. Foi um capítulo longo e meio chato. Creio
que se fosse o do Erasmo (segundo) em primeiro, teria maiores chances de
fidelizar o leitor que está iniciando o livro. E esse símbolo do coração com a faca achei meio feinho. Fora isso o livro é sensacional,
livro o qual eu nunca havia ouvido falar, porém que me surpreendeu bastante e
só foi crescendo gradativamente ao longo da leitura! Ao meu ver tem grandes chances
de se tornar um grande clássico paulista e até mesmo nacional.
Meus personagens favoritos foram Erasmo, o motoboy, e Eliseu, o
motorista (irmão da transexual). Pela humildade, perseverança e simpatia de
ambos.
Por último gostaria de apontar também que cada personagem teve apenas
um capítulo, exceto Erasmo que teve dois. O segundo e o último. E no final
Erasmo recita um poema que fecha com chave de ouro esse livro magnífico, poema
este que é recitado originalmente pelo Teatro Mágico:
"Felicidade, disse o mais tolo
'Felicidade não existe'
O intelectual, não no sentido lato
O empresário, desde que haja lucro
O operário sem emprego, nem pensar
O cientista ainda será descoberta
O místico está escrito nas estrelas
O político, poder
A igreja, sem tristeza, impossível.
Amém
O poeta riu de todos
E por alguns minutos foi feliz."
Além do poema final, há um trecho em que Percília, a transexual irmã de Eliseu, canta em um bar uma música de autoria de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, chamada "Modinha", a qual eu não conhecia e gostei muito devido a minha recaída por músicas clássicas. Por fim deixo a letra da música e um vídeo de interpretação dela por parte da inesquecível Elis Regina e César Camargo, um link para uma entrevista da célebre autora do livro e uma outra música que gosto muito chamada "A Cidade" do Apocalipse 16. Essa música narra vários aspectos da capital, assim como o livro, por conta disso passei o livro INTEIRO com essa música na cabeça, enfim, curtam:
"Não pode mais meu coração
Viver assim dilacerado
Escravizado a uma ilusão
Que é só desilusão
Ah, não seja a vida sempre assim
Como um luar desesperado
A derramar melancolia em mim
Poesia em mim
Como um luar desesperado
A derramar melancolia em mim
Poesia em mim
Vai, triste canção, sai do meu peito
E semeia a emoção
Que chora dentro do meu coração
Coração"
E semeia a emoção
Que chora dentro do meu coração
Coração"




Cara, estou encantada com este livro. Não li, mas pretendo. Achei uma obra tão rica em detalhes culturais, diversidades de pessoas, histórias fortes. Gostei muito mesmo.
ResponderExcluirAliás, TEATRO MÁGICO fechou com chave de ouro. *-*
bjs
É uma obra riquíssima culturalmente. Vale a pena conferir.
ExcluirO livro parece ser muito bom. Tendo personagens interessantes e fortes, além do cenário maravilhoso que é São paulo.
ResponderExcluirBeijinhos
Os personagens são todos muito bem trabalhados e são muito interessantes, tanto os aspectos quanto a história de cada um.
ExcluirPenso que essa obra será melhor apreciada pelos moradores de sampa, ;)
ResponderExcluirNão conhecia esse poema citado, achei um tanto melancólico...
Eu achei o poema engraçado, haha.
ExcluirRealmente, seria melhor apreciado por paulistanos. Porém não deixa de ser uma excelente obra pra qualquer pessoa. Eu, por exemplo, sou do interiorrrrrr de São Paulo.
O livro parece ser bem interessantes ! Admito que nunca tinha ouvido falar desse livro .. mas pra tudo tem uma primeira vez ! ^^
ResponderExcluirTambém nunca tinha ouvido falar, mas valeu muito a pena conhecer.
ExcluirEu acho que o livro não me chamou muita atenção ;/ Sei lá, não faz meu estilho eu acho.
ResponderExcluirbjs
Na realidade esse livro tem de tudo um pouco.
ExcluirComédia, drama, suspense, mistério, sociologia, entre outros. Vale a pena dar uma conferida melhor no próprio livro pra ver se gosta.
Glaucio:
ResponderExcluirAdorei seu post. Não só pelos elogios - uau! -, mas pela maneira como você tratou o romance, dando uma ideia muito clara do que pretendi com ele, e ainda complementando com os vídeos. Muito bacana mesmo. Agradeço muito e vou compartilhá-lo com prazer. Um beijo,
Maria José Silveira
Olá, Glaucio:
ResponderExcluirAdorei seu post! Não só pelos elogios - uau! - mas pela maneira como você tratou o romance, dando uma ideia muito clara do que pretendi com ele, e complementando tudo com os vídeos. Muito bacana mesmo! Agradeço muito e vou compartilhá-lo com prazer. Um beijo!
Maria José Silveira
Gláucio, muito legal o post. Tá "facebukado".
ResponderExcluirNão gostei muito da historia mais a capa é bem bonita!
ResponderExcluirxoxo
Não gostei muito da historia mais adorei a capa!
ResponderExcluirxoxo
Não conhecia esse livro. Conhecia apenas esse apelido que a cidade de São Paulo tem, que é Pauliceia. Achei super interessante essa história. Não me lembro de ter lido algo com essa estrutura de cada capítulo ser narrado por uma personagem diferente. Resumindo, quero ler, sim!
ResponderExcluir@_Dom_Dom
não gostei muito mas a resenha fico boa parabens
ResponderExcluirNão conhecia o livro. Achei bem interessante essa visão de São Paulo que o livro trás, não conheço muito a cidade, mas a diversidade cultural dela parece incrível.
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