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31 janeiro 2014

Dark Wolf - Christine Feehan - Trecho do 1º Capitulo

Olá Estrelas!!!

Todo mundo sabe que sou fã incondicional da série sombria da escritora Christine Feehan e não resisti a comprar o e-book pra ler este lançamento do inicio do mês e agora vou compartilhar um trecho com vocês. O livro foi lançado no dia 07\01\2014 nos EUA. Aqui no Brasil não tem previsão de lançamento pois foram lançado os três primeiros pela Editora Universo dos Livros e este é o de nº 25, ainda não tem data certa para o lançamento do 4º livro, assim que tivermos algo sobre ele avisaremos.

Vamos lá?


Preso entre as duas espécies rivais, Dimitri passou séculos caçando os mortos-vivos para manter seu povo livre, e os seres humanos seguros. Ele havia sobrevivido honrosamente quando outros tinham escolhido desistir de suas almas. Mas agora, marcado para o extermínio pelos Lycans, Dimitri se viu sozinho e temendo por sua vida. Mas a salvação estava por vir.
Nenhum Lycan jamais suspeitaria que alguém como Skyler ousaria montar uma operação de resgate em segredo. Uma adolescente. Um ser humano de habilidades não testadas. Mas ela tinha algo que ninguém mais tinha. Ela estava predestinada para Dimitri – como ele estava para ela. E não havia nada mais forte para Skyler do que o seu desejo de ver a sua vida de sonhos se tornando realidade. Seja qual fosse o risco.






Capitulo 1

Skyler Daratrazanoff puxou o longo xale preto mais perto, se certificando de que seu cabelo estava coberto e havia pouco para ver de seu rosto. Seu coração batia tão forte que ela estava com medo de alguém próximo ouvir. Tudo dependia de fazer o funcionário acreditar nela. Josef tinha forjado os papéis, e ele era o melhor. Ele poderia hacker qualquer computador, fornecer informações ou as obter. Ela não duvidou por um minuto que os papéis que ele criou estariam em ordem e iriam passar num exame minucioso, mas ainda tinha que fazer o funcionário acreditar nela. 

O edifício de metal estava oxidado e parecia que podia desmoronar a qualquer momento.

Um homem veio ao encontro dela, parecendo solene enquanto o caixão era levado para frente dela na sombra do edifício. Felizmente o sol estava se pondo e as sombras caíam ao seu redor, ajudando a tornar mais difícil de vê-la claramente.

— Seus papéis? — ele disse. Sua voz era gentil. O nome em seu crachá o identificava como Erno Varga.

Ela olhou em direção ao pequeno avião em que voou até o aeroporto e, então, entregou os papéis para o oficial, se certificando de que seus olhos estavam abatidos e ela parecia chorosa. Ela teve o cuidado de usar umas gotas de colírio para tornar os olhos vermelhos e lacrimejantes, apenas no caso de que não pudesse conseguir isso por conta própria.

Varga olhou para os papéis e depois para ela várias vezes com olhos mordaz, incrédulos.
— Você é muito jovem para estar levando para casa sozinha o corpo do seu irmão. Ninguém mais está viajando com você?

Ela balançou a cabeça, tentando parecer mais trágica do que nunca.
 — Meu pai está morto e agora o meu irmão. — Ela sufocou um soluço digno, estava certa, de um Oscar. — Não há mais ninguém para trazê-lo, para nossa mãe.

O funcionário olhou para ela novamente e estudou seus papéis mais de perto. — Ele morreu de um coração partido? — Havia ceticismo em sua voz.

Skyler quase engasgou. "Quando eu colocar minhas mãos em você, Josef, você vai morrer de mais do que um coração partido". Ela usou sua conexão telepática com Josef para deixá-lo saber que ele estava em grande dificuldade.
"Uma tragédia terrível". Josef estava impertinente como sempre. Havia diversão em seu tom. Não importa o quão séria uma situação, ele não se importava em ser menos travesso. Ela conseguiu manter uma cara séria e deu a Varga um aceno solene.
— Ele simplesmente definhou quando sua namorada o deixou. Recusou-se a comer. — Ela não tinha escolha a não seguir com isso, mesmo que isso significasse torcer os dedos com força, a fim de evitar que o 
oficial visse que estava tremendo. — É uma tragédia terrível. Nada pode salvá-lo.
Ok, até mesmo para seus ouvidos, isso soava totalmente coxo. Mas um coração partido? Apenas Josef viria com algo tão dramático e inacreditável. De que outra forma poderia explicar que ele morreu de um coração partido? Ia existir definitivamente outra causa mortis depois que eles abrissem o caixão.

Ela podia sentir a risada de Josef. Claro que você está rindo. Você está seguro no caixão, o irmão tragicamente morto, enquanto eu estou mentindo pra caramba para esse homem que poderia me colocar na prisão para o resto da minha vida.

Ela sabia que Josef nunca deixaria isso acontecer. Se necessário, ele daria ao oficial um “empurrão” para acreditar nela. Agora, Josef estava se divertindo muito a escutando se contorcer – e ela supôs que merecia. Ela estava o fazendo fazer algo altamente perigoso e que ele seria culpado muito mais do que ela seria se alguma coisa desse errado. Seu pai provavelmente o mataria assim que o visse.

"Ele vai sim, Josef disse. Ele vai me rasgar membro a membro".

"Você deveria estar se preocupando comigo te rasgando membro a membro", ela ameaçou.

— Quantos anos você tem? — O oficial olhou para o seu passaporte e documentos e, em seguida, de volta para seu rosto. — Você pilotou aquele avião?

Ela ergueu o queixo, tentando parecer mais velha e muito mais austera. Sabia que parecia jovem, mas não os olhos. Se ele olhasse diretamente nos olhos, acreditaria no que esses documentos falsos diziam. E eles eram grandes falsificações. Josef tinha muitos talentos, embora inventar histórias claramente não fosse um deles. 

— Eu sou muito mais velha do que pareço, — Skyler respondeu. Era parcialmente a verdade. Ela se sentia mais velha, e isso deveria contar para alguma coisa. Passou por mais do que a maioria das mulheres – ok, das adolescentes.

— Vinte e cinco? — ele disse com ceticismo. 

Josef tinha insistido de ela ter vinte e cinco, se ia pilotar o avião. Pilotar aviões veio fácil para ela e era algo que particularmente adorava, por isso seu pai adotivo, Gabriel, permitiu que aprendesse.

— Eu tenho que abrir o caixão, — ele disse, observando-a de perto.

Skyler conseguiu soltar um pequeno soluço e tapou a boca, balançando a cabeça ligeiramente. 

— Sinto muito. Sim, é claro. Eles disseram que você faria. Eu estava esperando por isso. — Ela endireitou os ombros e a coluna vertebral corajosamente. Ele olhou para ela muito mais gentil.

 — Você não precisa assistir. Fique ali. — Ele acenou com a cabeça para um canto do edifício a poucos metros de distância.

Ela sentiu um pouco de pena dele. Se ela conhecia algo sobre Josef, sabia que ele produziu algum tipo de show.

"Não se atreva a por isto a perder o assustando", ela advertiu. "Estou falando sério, Josef".

"Você não é divertida. Eu sempre posso remover as suas memórias. Não seria tão delicioso fazer uma imitação de Conde Drácula? Eu assisti ao filme um milhão de vezes. Aprendi o visual e sotaque melancólico, perfeitamente".

Ele parecia muito ansioso. Levou muita disciplina proteger a diversão em sua mente, onde ele não podia ler. Ela não duvidou nem por um momento que Josef poderia fazer uma imitação perfeita de Drácula.

"Resista à tentação. Nós não estamos fora de perigo e não podemos nos dar ao luxo de arriscar. Estamos no território dos Cárpatos. Ou pelo menos perto o suficiente para que alguém possa estar perto de nós para perceber o uso de energia. Se contenha, Josef".

Ele suspirou. "Não importa qual seja o resultado, o seu pai vai me matar, uma morte lenta e dolorosa também. Eu deveria ser capaz de ter um pouco de diversão".

Isso estava batendo muito perto da verdade. Gabriel ia matar todos eles, mas se seu plano funcionasse, teria valido a pena.

Ela deu um pequeno sorriso de gratidão para Varga e se afastou do caixão. De pé na porta aberta, seus braços em volta de sua cintura para se confortar, olhou para fora, para a escuridão crescente, se manteve muito quieta. Seu plano tinha que funcionar.

"Comporte-se, Josef, não importa o quê. Gabriel está em Londres e eu estou aqui". Ela nunca foi o lado receptor da ira de Gabriel, mas ele e seu tio Lucian eram caçadores de vampiros lendários. O povo Cárpatos, a maioria extremamente poderosa, sussurrava seu nome com reverência.

"Você tem um ponto". Mais risos borbulhavam na voz de Josef.  "Que desperdício de um caixão muito bom". Agora havia desgosto em sua voz.

Skyler não poderia dizer se ele ia se comportar ou não. Era impossível com Josef. Ele fazia as coisas do seu jeito. Ela fez uma oração em silêncio, esperando o melhor. Agora mesmo, Francesca e Gabriel estavam provavelmente acordando e logo iriam se preparar para voar para as montanhas dos Cárpatos. Eles pensavam que ela estava há um continente de distância, segura com sua amiga humana da faculdade, Maria, usando suas férias para ajudar a construir casas e sistemas de irrigação para agricultores da América do Sul. Nunca havia mentido para eles antes. Nem uma vez. E doeu fazer isso agora, mas não havia outro jeito. Ela sabia que seus pais foram convocados para a grande reunião entre os Lycan e os Cárpatos, para discutir uma aliança entre as duas espécies. A maioria dos Cárpatos foi chamada para casa. Gabriel e Francesca estiveram mais do que felizes em receber um telefonema dela, da escola, pedindo para ir com Maria. Eles não a queriam em qualquer lugar perto das montanhas dos Cárpatos.

Ela nunca pensou em reembolsar sua extraordinária bondade, o amor que lhe tinham dado desde o momento em que fora para a casa deles, com mentiras e traição – não por nada nem ninguém que não Dimitri. Dimitri Tirunul era seu milagre inesperado. Um homem além de qualquer sonho que ela já teve. Ela era humana. Ele era Cárpato – quase imortal. Ela tinha 19 anos. Ele um ancião com séculos de idade. Ela segurava a outra metade de sua alma, a luz de sua escuridão. Sem ela, ele não iria sobreviver. Era sua companheira – a sua salvadora. No entanto, sabia exatamente que na verdade era o oposto: Dimitri foi quem a salvou. Ele soube que ela era sua companheira quando ela era apenas uma criança e ele lhe tinha dado tempo. Espaço. Amor incondicional. Nunca exigiu nada dela. Nunca disse a ela o quanto era
difícil para ele – que ela era sua salvação, simplesmente se afastou. Ele sempre esteve lá por ela, no meio da noite, quando seu passado violento estava muito perto e não conseguia dormir, quando os pesadelos a assombravam até o ponto onde não conseguia respirar. Ele estava ali, em sua mente, segurando todas essas memórias terríveis à distância. Dimitri. Seu Dimitri.

Dimitri foi pego no meio das duas espécies. Os Lycans o tinham levado e planejavam matá-lo. Ninguém foi atrás dele para salvá-lo. Ele passou séculos caçando os mortos-vivos para manter seu povo seguro, assim como os seres humanos. Sobreviveu honrosamente quando outros escolheram desistir de suas almas. No entanto, não havia nenhum grupo de resgate. Nenhum dos caçadores estava correndo para salvá-lo. Ele ficou gravemente ferido. Ela sentiu isso muito antes dele se afastar dela para protegê-la de sua dor – ou sua morte.

Dimitri era estoico sobre a vida ou a morte. Ele era um caçador Cárpatos e fora assim por séculos, protegendo inocentes de vampiros. A linhagem dela era complicada, mas para todos os efeitos, ela era humana. Os Lycans nunca esperariam que uma garota humana, uma adolescente, montasse uma operação de resgate de um dos Cárpatos. Tinha o elemento surpresa do seu lado. Isso, assim como bons amigos, de confiança e as habilidades dela muito poderosas, mas nunca testadas.

Skyler tinha fé em si mesma. Conhecia cada uma de suas forças e fraqueza. Como Josef, ele era extremamente inteligente e na maioria das vezes subestimado. Acreditava que os Lycans iriam subestimá-la, estava contando com isso.

Ninguém iria iniciar uma guerra por um caçador dos Cárpatos, ao que parecia, mas ela sabia que seu pai viria atrás dela, e se alguém prejudicasse um único fio de cabelo dela, o mundo Lycan iria se encontrar num pesadelo que não podia conceber. Não só Gabriel viria atrás dela, mas seu tio Lucian também. Estava bastante certa que seu pai biológico, Razvan, e sua companheira, Ivory, iriam se juntar a caça por ela. Eles eram extremamente letais também. Havia satisfação em saber que se estivesse ferida ou morta, ela seria vingada. Ninguém, nem mesmo Mikhail Dubrinsky, o príncipe dos Cárpatos, seria capaz de parar uma guerra se os Lycans a machucassem.

Ela ergueu o queixo. Dimitri nunca a deixou em perigo. Ele correu para seu lado no momento em que soube que havia problemas, ele fez – mais de uma vez – só para aliviar os pesadelos quando ela os tinha muito constantemente. Não podia fazer menos por ele.
Prendendo a respiração, ela se virou para assistir ao oficial cautelosamente abrir o caixão. 

Ele rangeu ameaçadoramente. Horrivelmente. Assim como nos filmes. O som enviou um arrepio pela sua espinha. A tampa levantou lentamente e, maldito fosse, Josef parecia como se fosse se levantar sozinho.
Varga recuou, uma mão subindo defensivamente. Houve um silêncio, quando a tampa se deteve. Nada se movia. Ela podia ouvir o som de um relógio tiquetaqueando alto. Varga tossiu nervosamente. Ele olhou para ela. Skyler colocou a mão sobre sua boca e baixou os olhos.
"Josef! Se comporte". Skyler estava em algum lugar entre rir e chorar com a tensão nervosa.

Varga avançou para o caixão e olhou para dentro, gotas visíveis de suor em sua testa. Ele limpou a garganta.

 — Ele certamente parece robusto para um homem que morreu de fome. 

"O mínimo que você poderia ter feito era parecer magro, se você queria que ele acreditasse nessa sua história absurda", ela repreendeu.

Skyler pressionou um lenço à boca. 

— Eles fizeram um trabalho tão bom na casa funerária. Eu, particularmente, pedi para terem certeza de que ele parecia bem para nossa mãe.

Varga apertou os lábios e estudou o corpo. Ele estava desconfiado, mas não tinha certeza do que. É evidente que havia um corpo morto no caixão. Ele suspeita que ela contrabandeasse drogas? Armas? Se fosse assim, isso não augurava nada de bom para o que planejara. Precisava parecer ingênua, uma jovem adolescente que pode ser ligeiramente desmiolada.

Prendeu a respiração quando ele estendeu a mão para a tampa do caixão e, lentamente, o fechou.

— Alguém está vindo buscar você? — Varga perguntou conforme ele trancou a tampa do caixão e olhou para o relógio. — Eu não posso ficar. O seu era o último avião de hoje.

— O amigo do meu irmão arranjou um caminhão para nos pegar. Estará a qualquer minuto, —  Skyler assegurou solenemente. — Muito obrigado por toda sua ajuda.
— Você pode esperar aqui, — Varga disse numa voz gentil. — Voltarei em umas duas horas e trancar. — Ele olhou ao redor do prédio em ruínas. Não era nada mais do que quatro paredes de metal, principalmente enferrujadas, algumas tão seriamente danificada onde havia buracos. — Não que haja muito para trancar. — Ele olhou novamente para o relógio. — Esperaria com você, mas tenho que ir para outro trabalho.

Ela deu um sorriso fraco. — Está tudo bem. Realmente. Ele estará aqui a qualquer minuto.
Varga deu a ela um último olhar e saiu do edifício frágil, deixando-a sozinha com o caixão fechado. Esperou até que viu seu carro se afastar e as luzes desaparecer completamente no caminho. Deu um olhar cuidadoso ao redor. Parecia estar sozinha. 

— Josef, você pode parar de fingir de morto, — Skyler disse, sua voz cheia de sarcasmo. Ela bateu na tampa do caixão com seu punho. — Morreu de um coração partido? Sério? Você não pode pensar em outra coisa, qualquer coisa, digamos mais realista?

A tampa do caixão abriu com a mesma série de rangidos sinistro dos filmes de horror, que ele usou quando Varga abriu a tampa. Houve um silêncio. O coração de Skyler batia num ritmo constante. Ela se inclinou sobre o caixão e olhou para o rapaz que estava deitado como se estivesse morto, com os braços cruzados sobre o peito, os olhos fechados. Sua pele era de porcelana pálida e seu cabelo preto espetado, com as pontas tingidas de azuis se destacava nitidamente contra o fundo branco.

— Você parece incrivelmente forte para um homem que morreu de fome, — ela disse sarcasticamente, imitando o oficial. — Você poderia ter estragado tudo com a sua história absurda.

Os olhos de Josef abriram dramaticamente. Ele falsificou um sotaque enquanto se sentava lentamente. — Eu poderia precisar de uma gota de sangue ou duas, minha querida.

Ela golpeou a cabeça dele com seus papéis. 

— O funcionário da alfândega não acreditou que eu tinha vinte e cinco anos.
Josef deu um sorriso arrogante.

— Você não tem. Você tem apenas dezenove, e quando Gabriel e Lucian descobrirem o que nós fizemos, nós dois vamos estar em mais problemas do que qualquer um de nós já conheceu. — Ele fez uma pausa, o sorriso desaparecendo de sua boca. — E eu já estive num monte de problemas.
— Nós não temos escolha, — Skyler disse. 

— Não se iluda, Sky, há sempre uma escolha. E você não é a que eles vão matar. Eu vou ser o alvo principal. Quando Gabriel e Lucian vierem à sua procura – e eles virão, — Josef disse. — Eles vão encontrar você. Eles têm uma reputação por uma razão. Se nós realmente fizermos isso, todos os caçadores Cárpatos estarão nos procurando.
Seu pai, Gabriel era extremamente poderoso, um lendário caçador Cárpato. Seu tio Lucian, irmão gêmeo de Gabriel, tinha ajudado a criar essa lenda entre os Cárpatos, e quando descobrissem que ela desapareceu, é claro que eles viriam atrás dela.

— Não é esse o ponto? — Skyler respondeu com um pequeno encolher de ombros. — No momento em que acordarem e perceberem que estamos desaparecidos, vamos ter uma boa vantagem. Devemos ser capazes de encontrar Dimitri.

— Você percebe, — Josef disse, flutuando para fora do caixão, — isso pode muito bem causar um incidente internacional. Ou pior, a guerra. Uma guerra total.
— Você concordou em me ajudar, — Skyler disse. — Mudou de ideia?

— Não. Você é minha melhor amiga Sky. Dimitri provavelmente me despreza e deseja que eu esteja morto, mas ele é seu companheiro e foi literalmente jogado aos lobos. — Josef deu um pequeno sorriso, satisfeito com seu trocadilho. — Claro que vou te ajudar. Ajudei você a bolar esse plano, não foi? E isso vai funcionar.
— Dimitri não despreza você, na verdade ele está feliz que seja meu amigo. Nós conversamos sobre isso. Ele não é assim. — Skyler fez uma careta para ele. — Você sabe muito bem que ele sabe que penso em você como um irmão. Ele te defenderia com sua vida. — Josef sorriu para ela. 

— Me perdoe por desprezá-lo só um pouquinho. Ele é bonito, inteligente, um antigo caçador e seu companheiro. Ele destruiu todos os meus sonhos e fantasias sobre você. Não me atrevo a pensar nesse sentido, ou ele saberia.  — Skyler revirou os olhos.

 — Ah tá. Até eu sei que você não pensa em mim dessa forma, Josef. Você pode esconder um monte de coisas, mas não isso. Não há nenhuma fantasia e nem sonhos destruídos. Sua companheira ou ainda não nasceu, ou, — ela sorriu para ele travessamente, — ela é provavelmente uma das filhas de Gregori. 

Ele gemeu e deu um tapa na testa com a palma da mão. 

— Amaldiçoo você para sempre por proferir essas palavras, por colocar esse pensamento para o universo. Nem pense isso, quanto mais o diga em voz alta. Você pode imaginar Gregori Daratrazanoff como um sogro? Credo, Skyler, você realmente me quer morto. — Ela riu. 

— Ele te serviria bem Josef. Especialmente depois de você colocar que morreu de um coração partido nesses papéis! 

— Poderia acontecer. Eu sou um romântico, você sabe. Dimitri acha que sou uma criança, assim como todos eles o que é provavelmente bom, porque senão ele me veria como um rival.

— Você dedica um grande esforço para fazer todos eles pensarem que você é uma criança, — Skyler apontou com um pequeno sorriso. — Você gosta que eles o subestimem. Você é um gênio, Josef, e não deixa qualquer um deles ver quem você é de verdade. Você deliberadamente os provoca.
Seu sorriso se alargou até que ele parecia positivamente travesso. Ele soprou as pontas dos dedos.

 — Isso é muito verdadeiro. Não nego isso. — Seu sorriso desapareceu. — Mas isso é muito diferente do que as travessuras que faço para eles. Isto é grande Skyler. Só quero que você entenda o que está em jogo.

— Claro que eu sei o que está em jogo.

— Sua família é uma das mais poderosas e lendárias do nosso povo. — Ele franziu a testa.

— O que me lembra, por que você nunca se refere a Gregori como seu tio? Ele é irmão de Lucian e  Gabriel, então, tecnicamente, ele é seu tio.
— Acho que nunca pensei sobre isso. Não o conheço. Estamos em Londres e ele está aqui nas montanhas dos Cárpatos, e nunca mostrou uma tremenda quantidade de interesse em mim.
— Ele é um Daratrazanoff – acredite em mim, Sky, ele está interessado em você. Se você desaparecer, a sua família vai vir lhe procurar e eles estarão em pé de guerra. Todos da sua família, especialmente Gabriel.

— Você tem medo de meu pai? — Skyler perguntou.

— Eu tenho novidades para você Sky – todo mundo tem medo do seu pai, e se não tiverem deveriam ter, especialmente quando se trata de você. Não percebeu quão protetor ele é com você? Seu tio Lucian é igual, se não pior, e se alguém mexe com um desses homens ou alguém que eles amam, ambos responderam.

Skyler mordeu o lábio.

— Sinto muito, Josef, por te colocar nesta posição. Não posso voltar atrás. Tenho que encontrar Dimitri. Sei que posso fazer isso. Este plano é perfeito. E nós dois sabemos, e contávamos com Gabriel e Lucian vindo atrás de mim. Posso seguir a partir daqui por mim mesma, realmente posso.

Josef deu uma gargalhada.

— Agora você realmente perdeu sua cabeça. Se eu deixar você fazer isso sozinha, eles realmente me matam. Não, nós estamos aqui e temos que seguir em frente.Acho que você é a única pessoa que pode conseguir isso. Mas Skyler, se você entrar em apuros, isso realmente vai começar uma guerra. Lucian e Gabriel não vão recuar se alguém te machucar, ou se você for capturada. Eles não se importarão com o que o príncipe diz. Vão atrás de você e ninguém vai ficar em seu caminho. É melhor você seguir com isto sabendo disso. Você tem que saber das consequências e estar disposta a enfrentá-las.

Skyler apertou os lábios. Ela quase não tinha pensado em outra coisa desde que ela e Josef bolaram o plano. 

— Dimitri é um bom homem. Ele poderia ter me reivindicado, me levado para longe da minha casa e da única estabilidade que eu já conheci. Eu não seria capaz de resistir a ele, a atração de companheiros é muito forte. Mas ele não o fez, Josef, não importa o terrível custo para ele. Não insistiu em me reivindicar ou nos vincular. Não tinha medo de Gabriel. Nunca teve medo de Gabriel.

Josef abanou a mão para o caixão e a tampa fechou rangendo. 

— Eu sei, — ele admitiu em voz baixa.
— Ele sabia que eu não estava pronta, que precisava de tempo para me encontrar e superar...  Todo o meu passado. — Skyler abaixou a cabeça, de modo que seu farto cabelo sedoso cobrisse sua expressão.

— Não faça isso Sky, — Josef disse. — Nós somos os melhores amigos. O que aconteceu não foi culpa sua e você nunca deve se sentir envergonhada.
— Eu não tenho vergonha, bem, não é como você pensa. Acredito que Dimitri é um grande homem e ele merece uma companheira que possa se igualar a ele em tudo. Não sou essa mulher ainda. Quero estar com ele, eu sinto que preciso ser quase tão forte quanto ele. Isso cresce em mim a cada dia.

— Você acha que ele manteria seu passado contra você? — Perguntou Josef.

Skyler sacudiu a cabeça. 

— Não, ele muitas vezes está perto o suficiente para falar comigo à noite, quando não consigo dormir. Conversamos muito durante a noite. Eu amo sua voz. Ele é muito gentil comigo, nunca exigente. Sei que é difícil para ele. Posso sentir a sua luta, embora ele esconda isso de mim no começo. Você não pode estar na cabeça de outra pessoa, sem, eventualmente, ver tudo. A escuridão ameaça tragá-lo o tempo todo, mas nunca me disse nada, nunca tentou me apressar. Ele certamente não me condena, porque eu era muito jovem, e com medo. Dimitri não me julga.
— Ninguém o julga querida, — Josef apontou. — Você é a única que é tão dura consigo mesma. Eu particularmente adorei a fase em que você tingia seu cabelo constantemente. Demorou um pouco para encontrar a si mesma e se sentir confortável com quem você realmente é.
As sobrancelhas de Skyler levantaram. Ela olhou fixamente para os cabelos pretos de Josef, espetados com ponta azul.
Seu sorriso era contagiante, revelando os dentes gêmeos na sua boca. — Este é quem eu sou. Descobri isso há muito tempo. Gosto do meu cabelo com as pontas azuis. 

— Porque ninguém nunca vai adivinhar o quão inteligente você é. Eles estão muito ocupados olhando para o seu cabelo e os piercings que você ocasionalmente coloca, apenas para perturbar todos eles, — ela acusou, rindo baixinho. — Eu te amo Josef, você sabe disso, não sabe?

— Sim. É por isso que estou aqui, Sky. Não tenho tantas pessoas que se preocupam comigo. Se você diz que precisa de mim, eu virei. — Ele olhou para longe dela.

Skyler colocou a mão em seu braço. — Há muitas pessoas que se preocupam com você, Josef, você só não os deixa chegar perto. Se você der a Dimitri uma chance, ele seria um bom amigo para você. Sei que seria. Falei com ele várias vezes sobre você.

— Pensei que você não o tinha visto desde que esteve nas Montanhas dos Cárpatos.
— Ele pensou que seria melhor se nós ficássemos longe um do outro. Sabia que seria muito difícil para ele comigo estando fisicamente perto dele, mas ele ia a Londres de vez em quando, sempre que precisava ouvir minha voz.

— Gabriel sabe? — Josef perguntou.
— Provavelmente. Ele não me perguntou, mas notei quando Dimitri estava perto, Gabriel ficava mais perto. E quando Gabriel não estava comigo, Francesca estava por perto. Houve momentos em que o tio Lucian e Tia Jaxon ficaram ao redor. Eles estavam inquietos, então eu sabia que era porque eles estavam com medo de Dimitri vir e me reivindicar.
— Mas ele não fez.

— Claro que não. Ele é um homem de honra. Não tenho idade suficiente na cultura dos Cárpatos, o que é engraçado, porque na cultura humana eu poderia casar com facilidade. Ninguém pensaria duas vezes sobre isso.
— Você quer que ele te reivindique? — Josef perguntou curioso.
Skyler encolheu os ombros. 

— Às vezes. Eu sonho com ele. Nunca penso em os outros homens, ou mesmo olho para eles. É sempre Dimitri. Ele chama por mim e nem sequer é consciente disso. Quando estamos falando, mente a mente, eu vejo as coisas. Quão só ele é. Como o mundo é escuro. Como é difícil lutar contra a força constante da escuridão. Ele suporta tanto por mim. Tanta coisa por todos nós. Quando ele caça, se torna mais difícil para ele. Toda vez que ele tem que matar. Vejo tudo isso, e os sacrifícios terríveis que ele faz por mim.

— Ele não quer que você veja essas coisas Sky, — Josef disse gentilmente. — Você sabe disso, não sabe? Os machos Cárpatos, especialmente os caçadores, são como uma rocha, guerreiros plenos. E se ele pensar que não estava protegendo você daquela sombra rastejante, ficaria muito chateado.

Skyler sorriu para Josef.

 — Não posso evitar o que eu vejo Josef. Eu não sou exatamente como todo mundo. Que tipo de mistura sou eu? Psíquica. Maga. Parte dos Cárpatos. Filha da Terra. Dragonseeker. Vejo coisas que não estou destinada a ver. Sinto coisas que eu não deveria. Sei que ele quase foi tirado de mim. Eu o senti. Chamei por ele. Cantei o cântico de cura que ouvi Francesca cantar. Acendi velas e chorei por dias quando ele estava tão longe que não conseguia o alcançar. 

Ela o olhou nos olhos, deixando que ele visse sua dor. Josef era definitivamente subestimado pela maioria das pessoas, mas ela viu sua genialidade, e valorizava sua estreita amizade. Podia falar com ele, dizer qualquer coisa, e ele nunca traiu sua confiança.
— Preciso dele, — ela admitiu simplesmente. — E tenho que encontrá-lo.  — Josef jogou o braço em volta dos ombros dela. 

— Bem, irmã, isso é exatamente o que vamos fazer. Paul deverá estar aqui a qualquer minuto. Ele me mandou uma mensagem e disse que tinha tudo pronto. 

— Ele cobriu seus rastros? Ele não te disse uma vez que Nicolas tomou seu sangue? Se ele fez, poderá rastrear Paul.

— Baby, qualquer um deles pode nos rastrear, e eles vão estar quentes em nosso rastro no momento em que perceberem que estamos desaparecidos.

— Eu sei disso. Só estou dizendo que não pode acontecer até que estejamos prontos. — Skyler olhou novamente para o relógio. — Ele está atrasado.
— Sua cobertura é perfeita, — Josef assegurou. — Ele voou com a família De La Cruz e disse que estávamos indo explorar as montanhas do lado da Ucrânia. Que estamos acampando por duas semanas. Claro que eles ficaram felizes em se livrar de nós e ninguém vai questionar que queremos fazer algo juntos. Nós conversamos sobre isso sem parar nos últimos dois anos. Esta seria a oportunidade perfeita para ficarmos juntos, então eles compraram a nossa história com facilidade.

Skyler deu uma pequena fungada. 

— É claro que eles não se importam se você dois foram acampar no mato juntos. Lembra quando eu queria ir num de seus acampamentos? O mundo quase desabou. 

Josef riu e se inclinou preguiçosamente, um quadril contra o caixão. 

— Gabriel virou o lobo mau e quase me comeu e Paul no jantar, apenas com a sugestão. Fiquei surpreso por ele te permitiu ir para a faculdade. Você estava tão à frente da sua faixa etária na escola.

Skyler encolheu os ombros. 

— Voltei para casa à noite, no primeiro ano. Precisava. Isso não tinha nada a ver com Gabriel e Francesca. Não sei o que teria feito sem eles. Precisava tanto deles nos primeiros dias. E eles realmente estiveram lá por mim. — Lágrimas brilhavam em seus olhos.

— Odeio pagar o seu amor e bondade com mentiras, mas eles não me deixaram escolha.

— Você tentou falar com eles sobre Dimitri? — Josef perguntou.
Skyler assentiu. 

— Sabia que algo estava errado, que Dimitri estava incomodado, a última vez que nos falamos. Ele partiu abruptamente para as montanhas dos Cárpatos há algumas semanas e, em seguida, ele estava numa terrível batalha. Eu o senti escorregar para longe de mim. Ele estava tão longe e eu quase não conseguia o alcançar. No momento em que fiz, ele quase foi embora. Eu podia sentir sua força da vida se desvanecendo. — Ela olhou para ele. — Você se lembra daquela noite? Eu te chamei para vir e me ajudar.
— Você estava na biblioteca da faculdade e, felizmente, eu vim te visitar, então eu não estava muito longe, — Josef disse. — Mas você não me disse o que aconteceu. Só que Dimitri precisava de você. Você estava aniquilada.

A memória daquela noite a sacudiu. Dimitri fora gravemente ferido. Mortalmente ferido. Ela estava longe dele, estudando na biblioteca da faculdade – tão mundano – à distância turvando sua conexão. Ela estendeu a mão para ele, sabendo que ele estava com problemas e foi seu irmão que ela encontrou. Quando ela tocou Dimitri, ele estava tão frio, gelado. Ela estremeceu, a frieza ainda estava em seus ossos. Às vezes, achava que nunca iria superar isso.
— Seu irmão estava lá, lutando por ele, seguindo atrás de sua luz fraca e tentando o trazer de volta. Chamei por Dimitri e pedi para não me deixar. Eu fiz o meu melhor, mesmo numa distância tão grande, para ajudar seu irmão a trazê-lo de volta à terra dos vivos. Simplesmente não podia deixa-lo ir.

Ela pegou o lábio inferior entre os dentes, mordendo com força. Mesmo agora, seu coração doía. Pressionou sua mão com força sobre a dor. 

— Não posso perdê-lo Josef. Ele sempre esteve lá por mim, desde que eu precisei dele, para qualquer coisa que eu precisei. É a minha vez agora. Não vou deixa-lo morrer. Vou encontrá-lo e ajudá-lo a escapar.

— Antes, quando ele estava morrendo, você pôde alcança-lo, — Josef se aventurou com cuidado, sabendo muito bem que estava caminhando por um campo minado. — Por que você acha que não pode agora?

— Eu sei onde você está querendo chegar Josef, — ela retrucou. — E isso não é verdade. Dimitri está vivo. Sei que ele está vivo.
Josef assentiu. 

— Acredito em você Sky, mas isso não responde à minha pergunta. Talvez seja melhor descobrir por que você não pode alcança-lo quando vocês dois sempre foram capazes de se comunicar telepaticamente. Você é extraordinariamente poderosa. Mais do que alguns dos Cárpatos. Muitos de nós não podemos cobrir a distância que você é capaz de fazer. Então, o que há de diferente agora?

Ela franziu a testa para ele. Josef era incrivelmente brilhante, e mesmo que não quisesse ouvir isso, precisava ouvi-lo. Ele tinha um ponto. Ela foi capaz de atravessar grandes distâncias para se conectar com Dimitri – e ele com ela. Sabia quando ele estava com problemas, quando lutou numa batalha com um bando de lobo desonesto e tomado o peso do ataque, a fim de dar o seu irmão a oportunidade de destruir uma mistura muito perigosa de vampiro / lobo.

Ela sentiu a dor de Dimitri, tão terrível que mal podia respirar. Bem ali, na biblioteca da faculdade, quase caiu no chão, com aquele lampejo de dor que não era dela. Seguiu a trilha de volta para ele, infalivelmente, apesar de sua luz fraca. Durante os anos que falaram telepaticamente, a conexão entre eles se tornou forte e ela o encontrava mesmo quando sua força vital estava desaparecendo, viajando para outro reino. E se podia fazer isso, Josef tinha razão, porque não podia encontra-lo agora? Isso não fazia sentido – e ela deveria ter percebido isso por conta própria.

— Você está perto demais do problema, — Josef disse, provando que ele estava tão em sintonia com ela, que praticamente podia ler seus pensamentos.

— Não gosto quando não estou pensando direito, — Skyler disse. — Ele precisa que eu esteja cem por cento neste assunto.

— Acho que isso se chama amor Sky, tanto quanto eu não quero admitir que você pudesse amar alguém além de mim. — Josef piscou para ela.

— Algo está realmente errado Josef. Sei que está. Como pude o encontrar quando ele já estava tecnicamente morto, mas não posso fazer isso agora?

— Talvez ele esteja inconsciente, — ele arriscou.

Ela balançou a cabeça. 

— Pensei nisso. Eu ainda poderia o encontrar. Sei que poderia. Há algo sobre a nossa conexão. É tão forte, que posso o seguir em qualquer lugar. Posso tocá-lo quando ele esta debaixo do chão, rejuvenescendo no solo.

Os olhos de Josef se arregalaram. 

— De jeito nenhum Sky. Ninguém pode fazer isso. Nós paramos nossos corações e pulmões e não podemos nos mover. Esse é o nosso momento mais vulnerável. Como ele poderia estar consciente?

— Eu não sei, mas sempre que o alcancei, dia ou noite, ele sempre esteve lá para mim.

Sempre. Não me lembro de uma única vez que não pude o encontrar. A Mãe Terra sempre cantou para mim, uma vibração que eu sentia, e eu podia saber onde ele estava.

— Você disse para Gabriel e Francesca que pôde fazer isso? Você pode fazer isso com eles? Comigo?

Skyler andava de um lado para outro, olhando mais uma vez para seu relógio um pouco impaciente. 

— Nunca pensei em contar a ninguém, nem mesmo a Dimitri o porquê disso. Mas não, nunca tentei acordar ninguém. Francesca e Gabriel ficam muito pouco tempo juntos e sozinhos estes dias, então nunca considerei os acordar. Parecia natural me virar para Dimitri. Sabia que ele precisava de mim tanto quanto eu precisava dele.

— Todo esse tempo pensei que você estava com medo de um relacionamento com ele, — Josef disse.

O sorriso de Skyler possuía pouco humor. — Nunca tive medo de um relacionamento com ele. Como poderia ter? Nós temos um relacionamento maravilhoso. Ele me trata como se eu fosse a melhor, a mais desejável mulher do mundo. Ele é inteligente, podemos falar sobre qualquer coisa por horas. É amável e gentil. É tudo o que uma mulher poderia querer em um parceiro.

— Estou ouvindo um “mas” aí.

— Não estou certa de que posso ser a companheira que ele realmente merece. Sou ótima no relacionamento emocional e o relacionamento intelectual, mas não tenho ideia se posso alguma vez ser o que ele precisa fisicamente. Isso é um assunto completamente diferente.

Josef balançou a cabeça. 

— Skyler, não fique toda psicótica sobre isso. Isso vai acontecer quando tiver que acontecer. Dimitri nunca mais vai querer outra mulher. Nunca. Ele vai te dar todo o tempo que precisar.

— Eu sei. De verdade. Dimitri nunca iria me empurrar e ele nunca fez. Não é com ele que estou preocupada. Fico ansiosa pensando nisso. Quero ser a melhor companheira possível para ele e minha mente simplesmente não pode ir para um relacionamento físico ainda.

Ela olhou novamente para o relógio. 

— Melhor Paul chegar aqui em breve. Tem certeza de que ele fugiu sem que ninguém suspeitasse?

— Sim, ele está a caminho. Apenas alguns minutos atrasado. Você diz que Dimitri está vivo. Se estiver, nós vamos o encontrar.

Skyler deixou escapar o fôlego lentamente. 

— Não gosto de nada disso. Detesto o fato de que o príncipe, juntamente com todos os outros, o abandonou.

Josef jogou o braço ao redor dela e a abraçou apertado. O sorriso desapareceu. — Nós vamos encontrá-lo. Nós o faremos.

Skyler se agarrou a ele por um momento e depois acenou com a cabeça, endireitando os ombros e se afastou dele.

 — Não gosto da única explicação que posso pensar para não ser capaz de me conectar com ele.

— Que é? — Josef perguntou.

— Ele está me bloqueando. — Havia dor em sua voz. — Ele tem que estar. Não há outra explicação que faça sentido.






30 janeiro 2014

Dark Wolf - Christine Feehan - Trecho do 1º Capitulo

Olá Estrelas!!!

Todo mundo sabe que sou fã incondicional da série sombria da escritora Christine Feehan e não resisti a comprar o e-book pra ler este lançamento do inicio do mês e agora vou compartilhar um trecho com vocês. O livro foi lançado no dia 07\01\2014 nos EUA. Aqui no Brasil não tem previsão de lançamento pois foram lançado os três primeiros pela Editora Universo dos Livros e este é o de nº 25, ainda não tem data certa para o lançamento do 4º livro, assim que tivermos algo sobre ele avisaremos.

Vamos lá?


Preso entre as duas espécies rivais, Dimitri passou séculos caçando os mortos-vivos para manter seu povo livre, e os seres humanos seguros. Ele havia sobrevivido honrosamente quando outros tinham escolhido desistir de suas almas. Mas agora, marcado para o extermínio pelos Lycans, Dimitri se viu sozinho e temendo por sua vida. Mas a salvação estava por vir.
Nenhum Lycan jamais suspeitaria que alguém como Skyler ousaria montar uma operação de resgate em segredo. Uma adolescente. Um ser humano de habilidades não testadas. Mas ela tinha algo que ninguém mais tinha. Ela estava predestinada para Dimitri – como ele estava para ela. E não havia nada mais forte para Skyler do que o seu desejo de ver a sua vida de sonhos se tornando realidade. Seja qual fosse o risco.






Capitulo 1

Skyler Daratrazanoff puxou o longo xale preto mais perto, se certificando de que seu cabelo estava coberto e havia pouco para ver de seu rosto. Seu coração batia tão forte que ela estava com medo de alguém próximo ouvir. Tudo dependia de fazer o funcionário acreditar nela. Josef tinha forjado os papéis, e ele era o melhor. Ele poderia hacker qualquer computador, fornecer informações ou as obter. Ela não duvidou por um minuto que os papéis que ele criou estariam em ordem e iriam passar num exame minucioso, mas ainda tinha que fazer o funcionário acreditar nela. 

O edifício de metal estava oxidado e parecia que podia desmoronar a qualquer momento.

Um homem veio ao encontro dela, parecendo solene enquanto o caixão era levado para frente dela na sombra do edifício. Felizmente o sol estava se pondo e as sombras caíam ao seu redor, ajudando a tornar mais difícil de vê-la claramente.

— Seus papéis? — ele disse. Sua voz era gentil. O nome em seu crachá o identificava como Erno Varga.

Ela olhou em direção ao pequeno avião em que voou até o aeroporto e, então, entregou os papéis para o oficial, se certificando de que seus olhos estavam abatidos e ela parecia chorosa. Ela teve o cuidado de usar umas gotas de colírio para tornar os olhos vermelhos e lacrimejantes, apenas no caso de que não pudesse conseguir isso por conta própria.

Varga olhou para os papéis e depois para ela várias vezes com olhos mordaz, incrédulos.
— Você é muito jovem para estar levando para casa sozinha o corpo do seu irmão. Ninguém mais está viajando com você?

Ela balançou a cabeça, tentando parecer mais trágica do que nunca.
 — Meu pai está morto e agora o meu irmão. — Ela sufocou um soluço digno, estava certa, de um Oscar. — Não há mais ninguém para trazê-lo, para nossa mãe.

O funcionário olhou para ela novamente e estudou seus papéis mais de perto. — Ele morreu de um coração partido? — Havia ceticismo em sua voz.

Skyler quase engasgou. "Quando eu colocar minhas mãos em você, Josef, você vai morrer de mais do que um coração partido". Ela usou sua conexão telepática com Josef para deixá-lo saber que ele estava em grande dificuldade.
"Uma tragédia terrível". Josef estava impertinente como sempre. Havia diversão em seu tom. Não importa o quão séria uma situação, ele não se importava em ser menos travesso. Ela conseguiu manter uma cara séria e deu a Varga um aceno solene.
— Ele simplesmente definhou quando sua namorada o deixou. Recusou-se a comer. — Ela não tinha escolha a não seguir com isso, mesmo que isso significasse torcer os dedos com força, a fim de evitar que o 
oficial visse que estava tremendo. — É uma tragédia terrível. Nada pode salvá-lo.
Ok, até mesmo para seus ouvidos, isso soava totalmente coxo. Mas um coração partido? Apenas Josef viria com algo tão dramático e inacreditável. De que outra forma poderia explicar que ele morreu de um coração partido? Ia existir definitivamente outra causa mortis depois que eles abrissem o caixão.

Ela podia sentir a risada de Josef. Claro que você está rindo. Você está seguro no caixão, o irmão tragicamente morto, enquanto eu estou mentindo pra caramba para esse homem que poderia me colocar na prisão para o resto da minha vida.

Ela sabia que Josef nunca deixaria isso acontecer. Se necessário, ele daria ao oficial um “empurrão” para acreditar nela. Agora, Josef estava se divertindo muito a escutando se contorcer – e ela supôs que merecia. Ela estava o fazendo fazer algo altamente perigoso e que ele seria culpado muito mais do que ela seria se alguma coisa desse errado. Seu pai provavelmente o mataria assim que o visse.

"Ele vai sim, Josef disse. Ele vai me rasgar membro a membro".

"Você deveria estar se preocupando comigo te rasgando membro a membro", ela ameaçou.

— Quantos anos você tem? — O oficial olhou para o seu passaporte e documentos e, em seguida, de volta para seu rosto. — Você pilotou aquele avião?

Ela ergueu o queixo, tentando parecer mais velha e muito mais austera. Sabia que parecia jovem, mas não os olhos. Se ele olhasse diretamente nos olhos, acreditaria no que esses documentos falsos diziam. E eles eram grandes falsificações. Josef tinha muitos talentos, embora inventar histórias claramente não fosse um deles. 

— Eu sou muito mais velha do que pareço, — Skyler respondeu. Era parcialmente a verdade. Ela se sentia mais velha, e isso deveria contar para alguma coisa. Passou por mais do que a maioria das mulheres – ok, das adolescentes.

— Vinte e cinco? — ele disse com ceticismo. 

Josef tinha insistido de ela ter vinte e cinco, se ia pilotar o avião. Pilotar aviões veio fácil para ela e era algo que particularmente adorava, por isso seu pai adotivo, Gabriel, permitiu que aprendesse.

— Eu tenho que abrir o caixão, — ele disse, observando-a de perto.

Skyler conseguiu soltar um pequeno soluço e tapou a boca, balançando a cabeça ligeiramente. 

— Sinto muito. Sim, é claro. Eles disseram que você faria. Eu estava esperando por isso. — Ela endireitou os ombros e a coluna vertebral corajosamente. Ele olhou para ela muito mais gentil.

 — Você não precisa assistir. Fique ali. — Ele acenou com a cabeça para um canto do edifício a poucos metros de distância.

Ela sentiu um pouco de pena dele. Se ela conhecia algo sobre Josef, sabia que ele produziu algum tipo de show.

"Não se atreva a por isto a perder o assustando", ela advertiu. "Estou falando sério, Josef".

"Você não é divertida. Eu sempre posso remover as suas memórias. Não seria tão delicioso fazer uma imitação de Conde Drácula? Eu assisti ao filme um milhão de vezes. Aprendi o visual e sotaque melancólico, perfeitamente".

Ele parecia muito ansioso. Levou muita disciplina proteger a diversão em sua mente, onde ele não podia ler. Ela não duvidou nem por um momento que Josef poderia fazer uma imitação perfeita de Drácula.

"Resista à tentação. Nós não estamos fora de perigo e não podemos nos dar ao luxo de arriscar. Estamos no território dos Cárpatos. Ou pelo menos perto o suficiente para que alguém possa estar perto de nós para perceber o uso de energia. Se contenha, Josef".

Ele suspirou. "Não importa qual seja o resultado, o seu pai vai me matar, uma morte lenta e dolorosa também. Eu deveria ser capaz de ter um pouco de diversão".

Isso estava batendo muito perto da verdade. Gabriel ia matar todos eles, mas se seu plano funcionasse, teria valido a pena.

Ela deu um pequeno sorriso de gratidão para Varga e se afastou do caixão. De pé na porta aberta, seus braços em volta de sua cintura para se confortar, olhou para fora, para a escuridão crescente, se manteve muito quieta. Seu plano tinha que funcionar.

"Comporte-se, Josef, não importa o quê. Gabriel está em Londres e eu estou aqui". Ela nunca foi o lado receptor da ira de Gabriel, mas ele e seu tio Lucian eram caçadores de vampiros lendários. O povo Cárpatos, a maioria extremamente poderosa, sussurrava seu nome com reverência.

"Você tem um ponto". Mais risos borbulhavam na voz de Josef.  "Que desperdício de um caixão muito bom". Agora havia desgosto em sua voz.

Skyler não poderia dizer se ele ia se comportar ou não. Era impossível com Josef. Ele fazia as coisas do seu jeito. Ela fez uma oração em silêncio, esperando o melhor. Agora mesmo, Francesca e Gabriel estavam provavelmente acordando e logo iriam se preparar para voar para as montanhas dos Cárpatos. Eles pensavam que ela estava há um continente de distância, segura com sua amiga humana da faculdade, Maria, usando suas férias para ajudar a construir casas e sistemas de irrigação para agricultores da América do Sul. Nunca havia mentido para eles antes. Nem uma vez. E doeu fazer isso agora, mas não havia outro jeito. Ela sabia que seus pais foram convocados para a grande reunião entre os Lycan e os Cárpatos, para discutir uma aliança entre as duas espécies. A maioria dos Cárpatos foi chamada para casa. Gabriel e Francesca estiveram mais do que felizes em receber um telefonema dela, da escola, pedindo para ir com Maria. Eles não a queriam em qualquer lugar perto das montanhas dos Cárpatos.

Ela nunca pensou em reembolsar sua extraordinária bondade, o amor que lhe tinham dado desde o momento em que fora para a casa deles, com mentiras e traição – não por nada nem ninguém que não Dimitri. Dimitri Tirunul era seu milagre inesperado. Um homem além de qualquer sonho que ela já teve. Ela era humana. Ele era Cárpato – quase imortal. Ela tinha 19 anos. Ele um ancião com séculos de idade. Ela segurava a outra metade de sua alma, a luz de sua escuridão. Sem ela, ele não iria sobreviver. Era sua companheira – a sua salvadora. No entanto, sabia exatamente que na verdade era o oposto: Dimitri foi quem a salvou. Ele soube que ela era sua companheira quando ela era apenas uma criança e ele lhe tinha dado tempo. Espaço. Amor incondicional. Nunca exigiu nada dela. Nunca disse a ela o quanto era
difícil para ele – que ela era sua salvação, simplesmente se afastou. Ele sempre esteve lá por ela, no meio da noite, quando seu passado violento estava muito perto e não conseguia dormir, quando os pesadelos a assombravam até o ponto onde não conseguia respirar. Ele estava ali, em sua mente, segurando todas essas memórias terríveis à distância. Dimitri. Seu Dimitri.

Dimitri foi pego no meio das duas espécies. Os Lycans o tinham levado e planejavam matá-lo. Ninguém foi atrás dele para salvá-lo. Ele passou séculos caçando os mortos-vivos para manter seu povo seguro, assim como os seres humanos. Sobreviveu honrosamente quando outros escolheram desistir de suas almas. No entanto, não havia nenhum grupo de resgate. Nenhum dos caçadores estava correndo para salvá-lo. Ele ficou gravemente ferido. Ela sentiu isso muito antes dele se afastar dela para protegê-la de sua dor – ou sua morte.

Dimitri era estoico sobre a vida ou a morte. Ele era um caçador Cárpatos e fora assim por séculos, protegendo inocentes de vampiros. A linhagem dela era complicada, mas para todos os efeitos, ela era humana. Os Lycans nunca esperariam que uma garota humana, uma adolescente, montasse uma operação de resgate de um dos Cárpatos. Tinha o elemento surpresa do seu lado. Isso, assim como bons amigos, de confiança e as habilidades dela muito poderosas, mas nunca testadas.

Skyler tinha fé em si mesma. Conhecia cada uma de suas forças e fraqueza. Como Josef, ele era extremamente inteligente e na maioria das vezes subestimado. Acreditava que os Lycans iriam subestimá-la, estava contando com isso.

Ninguém iria iniciar uma guerra por um caçador dos Cárpatos, ao que parecia, mas ela sabia que seu pai viria atrás dela, e se alguém prejudicasse um único fio de cabelo dela, o mundo Lycan iria se encontrar num pesadelo que não podia conceber. Não só Gabriel viria atrás dela, mas seu tio Lucian também. Estava bastante certa que seu pai biológico, Razvan, e sua companheira, Ivory, iriam se juntar a caça por ela. Eles eram extremamente letais também. Havia satisfação em saber que se estivesse ferida ou morta, ela seria vingada. Ninguém, nem mesmo Mikhail Dubrinsky, o príncipe dos Cárpatos, seria capaz de parar uma guerra se os Lycans a machucassem.

Ela ergueu o queixo. Dimitri nunca a deixou em perigo. Ele correu para seu lado no momento em que soube que havia problemas, ele fez – mais de uma vez – só para aliviar os pesadelos quando ela os tinha muito constantemente. Não podia fazer menos por ele.
Prendendo a respiração, ela se virou para assistir ao oficial cautelosamente abrir o caixão. 

Ele rangeu ameaçadoramente. Horrivelmente. Assim como nos filmes. O som enviou um arrepio pela sua espinha. A tampa levantou lentamente e, maldito fosse, Josef parecia como se fosse se levantar sozinho.
Varga recuou, uma mão subindo defensivamente. Houve um silêncio, quando a tampa se deteve. Nada se movia. Ela podia ouvir o som de um relógio tiquetaqueando alto. Varga tossiu nervosamente. Ele olhou para ela. Skyler colocou a mão sobre sua boca e baixou os olhos.
"Josef! Se comporte". Skyler estava em algum lugar entre rir e chorar com a tensão nervosa.

Varga avançou para o caixão e olhou para dentro, gotas visíveis de suor em sua testa. Ele limpou a garganta.

 — Ele certamente parece robusto para um homem que morreu de fome. 

"O mínimo que você poderia ter feito era parecer magro, se você queria que ele acreditasse nessa sua história absurda", ela repreendeu.

Skyler pressionou um lenço à boca. 

— Eles fizeram um trabalho tão bom na casa funerária. Eu, particularmente, pedi para terem certeza de que ele parecia bem para nossa mãe.

Varga apertou os lábios e estudou o corpo. Ele estava desconfiado, mas não tinha certeza do que. É evidente que havia um corpo morto no caixão. Ele suspeita que ela contrabandeasse drogas? Armas? Se fosse assim, isso não augurava nada de bom para o que planejara. Precisava parecer ingênua, uma jovem adolescente que pode ser ligeiramente desmiolada.

Prendeu a respiração quando ele estendeu a mão para a tampa do caixão e, lentamente, o fechou.

— Alguém está vindo buscar você? — Varga perguntou conforme ele trancou a tampa do caixão e olhou para o relógio. — Eu não posso ficar. O seu era o último avião de hoje.

— O amigo do meu irmão arranjou um caminhão para nos pegar. Estará a qualquer minuto, —  Skyler assegurou solenemente. — Muito obrigado por toda sua ajuda.
— Você pode esperar aqui, — Varga disse numa voz gentil. — Voltarei em umas duas horas e trancar. — Ele olhou ao redor do prédio em ruínas. Não era nada mais do que quatro paredes de metal, principalmente enferrujadas, algumas tão seriamente danificada onde havia buracos. — Não que haja muito para trancar. — Ele olhou novamente para o relógio. — Esperaria com você, mas tenho que ir para outro trabalho.

Ela deu um sorriso fraco. — Está tudo bem. Realmente. Ele estará aqui a qualquer minuto.
Varga deu a ela um último olhar e saiu do edifício frágil, deixando-a sozinha com o caixão fechado. Esperou até que viu seu carro se afastar e as luzes desaparecer completamente no caminho. Deu um olhar cuidadoso ao redor. Parecia estar sozinha. 

— Josef, você pode parar de fingir de morto, — Skyler disse, sua voz cheia de sarcasmo. Ela bateu na tampa do caixão com seu punho. — Morreu de um coração partido? Sério? Você não pode pensar em outra coisa, qualquer coisa, digamos mais realista?

A tampa do caixão abriu com a mesma série de rangidos sinistro dos filmes de horror, que ele usou quando Varga abriu a tampa. Houve um silêncio. O coração de Skyler batia num ritmo constante. Ela se inclinou sobre o caixão e olhou para o rapaz que estava deitado como se estivesse morto, com os braços cruzados sobre o peito, os olhos fechados. Sua pele era de porcelana pálida e seu cabelo preto espetado, com as pontas tingidas de azuis se destacava nitidamente contra o fundo branco.

— Você parece incrivelmente forte para um homem que morreu de fome, — ela disse sarcasticamente, imitando o oficial. — Você poderia ter estragado tudo com a sua história absurda.

Os olhos de Josef abriram dramaticamente. Ele falsificou um sotaque enquanto se sentava lentamente. — Eu poderia precisar de uma gota de sangue ou duas, minha querida.

Ela golpeou a cabeça dele com seus papéis. 

— O funcionário da alfândega não acreditou que eu tinha vinte e cinco anos.
Josef deu um sorriso arrogante.

— Você não tem. Você tem apenas dezenove, e quando Gabriel e Lucian descobrirem o que nós fizemos, nós dois vamos estar em mais problemas do que qualquer um de nós já conheceu. — Ele fez uma pausa, o sorriso desaparecendo de sua boca. — E eu já estive num monte de problemas.
— Nós não temos escolha, — Skyler disse. 

— Não se iluda, Sky, há sempre uma escolha. E você não é a que eles vão matar. Eu vou ser o alvo principal. Quando Gabriel e Lucian vierem à sua procura – e eles virão, — Josef disse. — Eles vão encontrar você. Eles têm uma reputação por uma razão. Se nós realmente fizermos isso, todos os caçadores Cárpatos estarão nos procurando.
Seu pai, Gabriel era extremamente poderoso, um lendário caçador Cárpato. Seu tio Lucian, irmão gêmeo de Gabriel, tinha ajudado a criar essa lenda entre os Cárpatos, e quando descobrissem que ela desapareceu, é claro que eles viriam atrás dela.

— Não é esse o ponto? — Skyler respondeu com um pequeno encolher de ombros. — No momento em que acordarem e perceberem que estamos desaparecidos, vamos ter uma boa vantagem. Devemos ser capazes de encontrar Dimitri.

— Você percebe, — Josef disse, flutuando para fora do caixão, — isso pode muito bem causar um incidente internacional. Ou pior, a guerra. Uma guerra total.
— Você concordou em me ajudar, — Skyler disse. — Mudou de ideia?

— Não. Você é minha melhor amiga Sky. Dimitri provavelmente me despreza e deseja que eu esteja morto, mas ele é seu companheiro e foi literalmente jogado aos lobos. — Josef deu um pequeno sorriso, satisfeito com seu trocadilho. — Claro que vou te ajudar. Ajudei você a bolar esse plano, não foi? E isso vai funcionar.
— Dimitri não despreza você, na verdade ele está feliz que seja meu amigo. Nós conversamos sobre isso. Ele não é assim. — Skyler fez uma careta para ele. — Você sabe muito bem que ele sabe que penso em você como um irmão. Ele te defenderia com sua vida. — Josef sorriu para ela. 

— Me perdoe por desprezá-lo só um pouquinho. Ele é bonito, inteligente, um antigo caçador e seu companheiro. Ele destruiu todos os meus sonhos e fantasias sobre você. Não me atrevo a pensar nesse sentido, ou ele saberia.  — Skyler revirou os olhos.

 — Ah tá. Até eu sei que você não pensa em mim dessa forma, Josef. Você pode esconder um monte de coisas, mas não isso. Não há nenhuma fantasia e nem sonhos destruídos. Sua companheira ou ainda não nasceu, ou, — ela sorriu para ele travessamente, — ela é provavelmente uma das filhas de Gregori. 

Ele gemeu e deu um tapa na testa com a palma da mão. 

— Amaldiçoo você para sempre por proferir essas palavras, por colocar esse pensamento para o universo. Nem pense isso, quanto mais o diga em voz alta. Você pode imaginar Gregori Daratrazanoff como um sogro? Credo, Skyler, você realmente me quer morto. — Ela riu. 

— Ele te serviria bem Josef. Especialmente depois de você colocar que morreu de um coração partido nesses papéis! 

— Poderia acontecer. Eu sou um romântico, você sabe. Dimitri acha que sou uma criança, assim como todos eles o que é provavelmente bom, porque senão ele me veria como um rival.

— Você dedica um grande esforço para fazer todos eles pensarem que você é uma criança, — Skyler apontou com um pequeno sorriso. — Você gosta que eles o subestimem. Você é um gênio, Josef, e não deixa qualquer um deles ver quem você é de verdade. Você deliberadamente os provoca.
Seu sorriso se alargou até que ele parecia positivamente travesso. Ele soprou as pontas dos dedos.

 — Isso é muito verdadeiro. Não nego isso. — Seu sorriso desapareceu. — Mas isso é muito diferente do que as travessuras que faço para eles. Isto é grande Skyler. Só quero que você entenda o que está em jogo.

— Claro que eu sei o que está em jogo.

— Sua família é uma das mais poderosas e lendárias do nosso povo. — Ele franziu a testa.

— O que me lembra, por que você nunca se refere a Gregori como seu tio? Ele é irmão de Lucian e  Gabriel, então, tecnicamente, ele é seu tio.
— Acho que nunca pensei sobre isso. Não o conheço. Estamos em Londres e ele está aqui nas montanhas dos Cárpatos, e nunca mostrou uma tremenda quantidade de interesse em mim.
— Ele é um Daratrazanoff – acredite em mim, Sky, ele está interessado em você. Se você desaparecer, a sua família vai vir lhe procurar e eles estarão em pé de guerra. Todos da sua família, especialmente Gabriel.

— Você tem medo de meu pai? — Skyler perguntou.

— Eu tenho novidades para você Sky – todo mundo tem medo do seu pai, e se não tiverem deveriam ter, especialmente quando se trata de você. Não percebeu quão protetor ele é com você? Seu tio Lucian é igual, se não pior, e se alguém mexe com um desses homens ou alguém que eles amam, ambos responderam.

Skyler mordeu o lábio.

— Sinto muito, Josef, por te colocar nesta posição. Não posso voltar atrás. Tenho que encontrar Dimitri. Sei que posso fazer isso. Este plano é perfeito. E nós dois sabemos, e contávamos com Gabriel e Lucian vindo atrás de mim. Posso seguir a partir daqui por mim mesma, realmente posso.

Josef deu uma gargalhada.

— Agora você realmente perdeu sua cabeça. Se eu deixar você fazer isso sozinha, eles realmente me matam. Não, nós estamos aqui e temos que seguir em frente.Acho que você é a única pessoa que pode conseguir isso. Mas Skyler, se você entrar em apuros, isso realmente vai começar uma guerra. Lucian e Gabriel não vão recuar se alguém te machucar, ou se você for capturada. Eles não se importarão com o que o príncipe diz. Vão atrás de você e ninguém vai ficar em seu caminho. É melhor você seguir com isto sabendo disso. Você tem que saber das consequências e estar disposta a enfrentá-las.

Skyler apertou os lábios. Ela quase não tinha pensado em outra coisa desde que ela e Josef bolaram o plano. 

— Dimitri é um bom homem. Ele poderia ter me reivindicado, me levado para longe da minha casa e da única estabilidade que eu já conheci. Eu não seria capaz de resistir a ele, a atração de companheiros é muito forte. Mas ele não o fez, Josef, não importa o terrível custo para ele. Não insistiu em me reivindicar ou nos vincular. Não tinha medo de Gabriel. Nunca teve medo de Gabriel.

Josef abanou a mão para o caixão e a tampa fechou rangendo. 

— Eu sei, — ele admitiu em voz baixa.
— Ele sabia que eu não estava pronta, que precisava de tempo para me encontrar e superar...  Todo o meu passado. — Skyler abaixou a cabeça, de modo que seu farto cabelo sedoso cobrisse sua expressão.

— Não faça isso Sky, — Josef disse. — Nós somos os melhores amigos. O que aconteceu não foi culpa sua e você nunca deve se sentir envergonhada.
— Eu não tenho vergonha, bem, não é como você pensa. Acredito que Dimitri é um grande homem e ele merece uma companheira que possa se igualar a ele em tudo. Não sou essa mulher ainda. Quero estar com ele, eu sinto que preciso ser quase tão forte quanto ele. Isso cresce em mim a cada dia.

— Você acha que ele manteria seu passado contra você? — Perguntou Josef.

Skyler sacudiu a cabeça. 

— Não, ele muitas vezes está perto o suficiente para falar comigo à noite, quando não consigo dormir. Conversamos muito durante a noite. Eu amo sua voz. Ele é muito gentil comigo, nunca exigente. Sei que é difícil para ele. Posso sentir a sua luta, embora ele esconda isso de mim no começo. Você não pode estar na cabeça de outra pessoa, sem, eventualmente, ver tudo. A escuridão ameaça tragá-lo o tempo todo, mas nunca me disse nada, nunca tentou me apressar. Ele certamente não me condena, porque eu era muito jovem, e com medo. Dimitri não me julga.
— Ninguém o julga querida, — Josef apontou. — Você é a única que é tão dura consigo mesma. Eu particularmente adorei a fase em que você tingia seu cabelo constantemente. Demorou um pouco para encontrar a si mesma e se sentir confortável com quem você realmente é.
As sobrancelhas de Skyler levantaram. Ela olhou fixamente para os cabelos pretos de Josef, espetados com ponta azul.
Seu sorriso era contagiante, revelando os dentes gêmeos na sua boca. — Este é quem eu sou. Descobri isso há muito tempo. Gosto do meu cabelo com as pontas azuis. 

— Porque ninguém nunca vai adivinhar o quão inteligente você é. Eles estão muito ocupados olhando para o seu cabelo e os piercings que você ocasionalmente coloca, apenas para perturbar todos eles, — ela acusou, rindo baixinho. — Eu te amo Josef, você sabe disso, não sabe?

— Sim. É por isso que estou aqui, Sky. Não tenho tantas pessoas que se preocupam comigo. Se você diz que precisa de mim, eu virei. — Ele olhou para longe dela.

Skyler colocou a mão em seu braço. — Há muitas pessoas que se preocupam com você, Josef, você só não os deixa chegar perto. Se você der a Dimitri uma chance, ele seria um bom amigo para você. Sei que seria. Falei com ele várias vezes sobre você.

— Pensei que você não o tinha visto desde que esteve nas Montanhas dos Cárpatos.
— Ele pensou que seria melhor se nós ficássemos longe um do outro. Sabia que seria muito difícil para ele comigo estando fisicamente perto dele, mas ele ia a Londres de vez em quando, sempre que precisava ouvir minha voz.

— Gabriel sabe? — Josef perguntou.
— Provavelmente. Ele não me perguntou, mas notei quando Dimitri estava perto, Gabriel ficava mais perto. E quando Gabriel não estava comigo, Francesca estava por perto. Houve momentos em que o tio Lucian e Tia Jaxon ficaram ao redor. Eles estavam inquietos, então eu sabia que era porque eles estavam com medo de Dimitri vir e me reivindicar.
— Mas ele não fez.

— Claro que não. Ele é um homem de honra. Não tenho idade suficiente na cultura dos Cárpatos, o que é engraçado, porque na cultura humana eu poderia casar com facilidade. Ninguém pensaria duas vezes sobre isso.
— Você quer que ele te reivindique? — Josef perguntou curioso.
Skyler encolheu os ombros. 

— Às vezes. Eu sonho com ele. Nunca penso em os outros homens, ou mesmo olho para eles. É sempre Dimitri. Ele chama por mim e nem sequer é consciente disso. Quando estamos falando, mente a mente, eu vejo as coisas. Quão só ele é. Como o mundo é escuro. Como é difícil lutar contra a força constante da escuridão. Ele suporta tanto por mim. Tanta coisa por todos nós. Quando ele caça, se torna mais difícil para ele. Toda vez que ele tem que matar. Vejo tudo isso, e os sacrifícios terríveis que ele faz por mim.

— Ele não quer que você veja essas coisas Sky, — Josef disse gentilmente. — Você sabe disso, não sabe? Os machos Cárpatos, especialmente os caçadores, são como uma rocha, guerreiros plenos. E se ele pensar que não estava protegendo você daquela sombra rastejante, ficaria muito chateado.

Skyler sorriu para Josef.

 — Não posso evitar o que eu vejo Josef. Eu não sou exatamente como todo mundo. Que tipo de mistura sou eu? Psíquica. Maga. Parte dos Cárpatos. Filha da Terra. Dragonseeker. Vejo coisas que não estou destinada a ver. Sinto coisas que eu não deveria. Sei que ele quase foi tirado de mim. Eu o senti. Chamei por ele. Cantei o cântico de cura que ouvi Francesca cantar. Acendi velas e chorei por dias quando ele estava tão longe que não conseguia o alcançar. 

Ela o olhou nos olhos, deixando que ele visse sua dor. Josef era definitivamente subestimado pela maioria das pessoas, mas ela viu sua genialidade, e valorizava sua estreita amizade. Podia falar com ele, dizer qualquer coisa, e ele nunca traiu sua confiança.
— Preciso dele, — ela admitiu simplesmente. — E tenho que encontrá-lo.  — Josef jogou o braço em volta dos ombros dela. 

— Bem, irmã, isso é exatamente o que vamos fazer. Paul deverá estar aqui a qualquer minuto. Ele me mandou uma mensagem e disse que tinha tudo pronto. 

— Ele cobriu seus rastros? Ele não te disse uma vez que Nicolas tomou seu sangue? Se ele fez, poderá rastrear Paul.

— Baby, qualquer um deles pode nos rastrear, e eles vão estar quentes em nosso rastro no momento em que perceberem que estamos desaparecidos.

— Eu sei disso. Só estou dizendo que não pode acontecer até que estejamos prontos. — Skyler olhou novamente para o relógio. — Ele está atrasado.
— Sua cobertura é perfeita, — Josef assegurou. — Ele voou com a família De La Cruz e disse que estávamos indo explorar as montanhas do lado da Ucrânia. Que estamos acampando por duas semanas. Claro que eles ficaram felizes em se livrar de nós e ninguém vai questionar que queremos fazer algo juntos. Nós conversamos sobre isso sem parar nos últimos dois anos. Esta seria a oportunidade perfeita para ficarmos juntos, então eles compraram a nossa história com facilidade.

Skyler deu uma pequena fungada. 

— É claro que eles não se importam se você dois foram acampar no mato juntos. Lembra quando eu queria ir num de seus acampamentos? O mundo quase desabou. 

Josef riu e se inclinou preguiçosamente, um quadril contra o caixão. 

— Gabriel virou o lobo mau e quase me comeu e Paul no jantar, apenas com a sugestão. Fiquei surpreso por ele te permitiu ir para a faculdade. Você estava tão à frente da sua faixa etária na escola.

Skyler encolheu os ombros. 

— Voltei para casa à noite, no primeiro ano. Precisava. Isso não tinha nada a ver com Gabriel e Francesca. Não sei o que teria feito sem eles. Precisava tanto deles nos primeiros dias. E eles realmente estiveram lá por mim. — Lágrimas brilhavam em seus olhos.

— Odeio pagar o seu amor e bondade com mentiras, mas eles não me deixaram escolha.

— Você tentou falar com eles sobre Dimitri? — Josef perguntou.
Skyler assentiu. 

— Sabia que algo estava errado, que Dimitri estava incomodado, a última vez que nos falamos. Ele partiu abruptamente para as montanhas dos Cárpatos há algumas semanas e, em seguida, ele estava numa terrível batalha. Eu o senti escorregar para longe de mim. Ele estava tão longe e eu quase não conseguia o alcançar. No momento em que fiz, ele quase foi embora. Eu podia sentir sua força da vida se desvanecendo. — Ela olhou para ele. — Você se lembra daquela noite? Eu te chamei para vir e me ajudar.
— Você estava na biblioteca da faculdade e, felizmente, eu vim te visitar, então eu não estava muito longe, — Josef disse. — Mas você não me disse o que aconteceu. Só que Dimitri precisava de você. Você estava aniquilada.

A memória daquela noite a sacudiu. Dimitri fora gravemente ferido. Mortalmente ferido. Ela estava longe dele, estudando na biblioteca da faculdade – tão mundano – à distância turvando sua conexão. Ela estendeu a mão para ele, sabendo que ele estava com problemas e foi seu irmão que ela encontrou. Quando ela tocou Dimitri, ele estava tão frio, gelado. Ela estremeceu, a frieza ainda estava em seus ossos. Às vezes, achava que nunca iria superar isso.
— Seu irmão estava lá, lutando por ele, seguindo atrás de sua luz fraca e tentando o trazer de volta. Chamei por Dimitri e pedi para não me deixar. Eu fiz o meu melhor, mesmo numa distância tão grande, para ajudar seu irmão a trazê-lo de volta à terra dos vivos. Simplesmente não podia deixa-lo ir.

Ela pegou o lábio inferior entre os dentes, mordendo com força. Mesmo agora, seu coração doía. Pressionou sua mão com força sobre a dor. 

— Não posso perdê-lo Josef. Ele sempre esteve lá por mim, desde que eu precisei dele, para qualquer coisa que eu precisei. É a minha vez agora. Não vou deixa-lo morrer. Vou encontrá-lo e ajudá-lo a escapar.

— Antes, quando ele estava morrendo, você pôde alcança-lo, — Josef se aventurou com cuidado, sabendo muito bem que estava caminhando por um campo minado. — Por que você acha que não pode agora?

— Eu sei onde você está querendo chegar Josef, — ela retrucou. — E isso não é verdade. Dimitri está vivo. Sei que ele está vivo.
Josef assentiu. 

— Acredito em você Sky, mas isso não responde à minha pergunta. Talvez seja melhor descobrir por que você não pode alcança-lo quando vocês dois sempre foram capazes de se comunicar telepaticamente. Você é extraordinariamente poderosa. Mais do que alguns dos Cárpatos. Muitos de nós não podemos cobrir a distância que você é capaz de fazer. Então, o que há de diferente agora?

Ela franziu a testa para ele. Josef era incrivelmente brilhante, e mesmo que não quisesse ouvir isso, precisava ouvi-lo. Ele tinha um ponto. Ela foi capaz de atravessar grandes distâncias para se conectar com Dimitri – e ele com ela. Sabia quando ele estava com problemas, quando lutou numa batalha com um bando de lobo desonesto e tomado o peso do ataque, a fim de dar o seu irmão a oportunidade de destruir uma mistura muito perigosa de vampiro / lobo.

Ela sentiu a dor de Dimitri, tão terrível que mal podia respirar. Bem ali, na biblioteca da faculdade, quase caiu no chão, com aquele lampejo de dor que não era dela. Seguiu a trilha de volta para ele, infalivelmente, apesar de sua luz fraca. Durante os anos que falaram telepaticamente, a conexão entre eles se tornou forte e ela o encontrava mesmo quando sua força vital estava desaparecendo, viajando para outro reino. E se podia fazer isso, Josef tinha razão, porque não podia encontra-lo agora? Isso não fazia sentido – e ela deveria ter percebido isso por conta própria.

— Você está perto demais do problema, — Josef disse, provando que ele estava tão em sintonia com ela, que praticamente podia ler seus pensamentos.

— Não gosto quando não estou pensando direito, — Skyler disse. — Ele precisa que eu esteja cem por cento neste assunto.

— Acho que isso se chama amor Sky, tanto quanto eu não quero admitir que você pudesse amar alguém além de mim. — Josef piscou para ela.

— Algo está realmente errado Josef. Sei que está. Como pude o encontrar quando ele já estava tecnicamente morto, mas não posso fazer isso agora?

— Talvez ele esteja inconsciente, — ele arriscou.

Ela balançou a cabeça. 

— Pensei nisso. Eu ainda poderia o encontrar. Sei que poderia. Há algo sobre a nossa conexão. É tão forte, que posso o seguir em qualquer lugar. Posso tocá-lo quando ele esta debaixo do chão, rejuvenescendo no solo.

Os olhos de Josef se arregalaram. 

— De jeito nenhum Sky. Ninguém pode fazer isso. Nós paramos nossos corações e pulmões e não podemos nos mover. Esse é o nosso momento mais vulnerável. Como ele poderia estar consciente?

— Eu não sei, mas sempre que o alcancei, dia ou noite, ele sempre esteve lá para mim.

Sempre. Não me lembro de uma única vez que não pude o encontrar. A Mãe Terra sempre cantou para mim, uma vibração que eu sentia, e eu podia saber onde ele estava.

— Você disse para Gabriel e Francesca que pôde fazer isso? Você pode fazer isso com eles? Comigo?

Skyler andava de um lado para outro, olhando mais uma vez para seu relógio um pouco impaciente. 

— Nunca pensei em contar a ninguém, nem mesmo a Dimitri o porquê disso. Mas não, nunca tentei acordar ninguém. Francesca e Gabriel ficam muito pouco tempo juntos e sozinhos estes dias, então nunca considerei os acordar. Parecia natural me virar para Dimitri. Sabia que ele precisava de mim tanto quanto eu precisava dele.

— Todo esse tempo pensei que você estava com medo de um relacionamento com ele, — Josef disse.

O sorriso de Skyler possuía pouco humor. — Nunca tive medo de um relacionamento com ele. Como poderia ter? Nós temos um relacionamento maravilhoso. Ele me trata como se eu fosse a melhor, a mais desejável mulher do mundo. Ele é inteligente, podemos falar sobre qualquer coisa por horas. É amável e gentil. É tudo o que uma mulher poderia querer em um parceiro.

— Estou ouvindo um “mas” aí.

— Não estou certa de que posso ser a companheira que ele realmente merece. Sou ótima no relacionamento emocional e o relacionamento intelectual, mas não tenho ideia se posso alguma vez ser o que ele precisa fisicamente. Isso é um assunto completamente diferente.

Josef balançou a cabeça. 

— Skyler, não fique toda psicótica sobre isso. Isso vai acontecer quando tiver que acontecer. Dimitri nunca mais vai querer outra mulher. Nunca. Ele vai te dar todo o tempo que precisar.

— Eu sei. De verdade. Dimitri nunca iria me empurrar e ele nunca fez. Não é com ele que estou preocupada. Fico ansiosa pensando nisso. Quero ser a melhor companheira possível para ele e minha mente simplesmente não pode ir para um relacionamento físico ainda.

Ela olhou novamente para o relógio. 

— Melhor Paul chegar aqui em breve. Tem certeza de que ele fugiu sem que ninguém suspeitasse?

— Sim, ele está a caminho. Apenas alguns minutos atrasado. Você diz que Dimitri está vivo. Se estiver, nós vamos o encontrar.

Skyler deixou escapar o fôlego lentamente. 

— Não gosto de nada disso. Detesto o fato de que o príncipe, juntamente com todos os outros, o abandonou.

Josef jogou o braço ao redor dela e a abraçou apertado. O sorriso desapareceu. — Nós vamos encontrá-lo. Nós o faremos.

Skyler se agarrou a ele por um momento e depois acenou com a cabeça, endireitando os ombros e se afastou dele.

 — Não gosto da única explicação que posso pensar para não ser capaz de me conectar com ele.

— Que é? — Josef perguntou.

— Ele está me bloqueando. — Havia dor em sua voz. — Ele tem que estar. Não há outra explicação que faça sentido.






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01 dezembro 2013

Novidades Brilhando nos EUA a partir de Janeiro de 2014 - Christine Feehan


Olá Estrelas!!!

Em Janeiro será lançado nos EUA o 25º livro da série Cárpatos e um dos mais aguardados por todo fã da série.

Aqui esta a capa e a sinopse do livro.


ONDE DARK LYCAN FOI ENCERRADO, Dark Wolf começa ...

Este é o livro Número 25 da  aclamada série CÁRPATOS DE  CHRISTINE FEEHAN

Número 1 do  New York Times a autora best-seller,  Christine Feehan agora oferece seu mais aguardado romance de todos todos os tempos - 10 anos na fatura - na "a erótica e emocionante série, que definiu todo um gênero" (JR Ward).

Em Dark Lycan, Christine Feehan viaja para o coração dos Cárpatos, e trabalha nas almas de dois companheiros agitados pelo rubor da paixão e da ameaça de aniquilação.

Em Dark Wolf, a história de tirar o fôlego continua como os laços de família que estão em perigo, e o destino de dois amantes se esconde nas sombras sedutoras entre a vida e a morte.


Skyler Daratrazanoff sempre reconheceu o milagre que era Dimitri Tirunul, um homem além de qualquer sonho nunca havia envolvido suas noites. Mas ela era humana. Vulnerável. Ele era dos Cárpatos. Quase imortal. Ela tinha dezenove anos. Ele era um antigo. No entanto, ela segura a metade de sua alma, é a luz de sua escuridão.Sem ela, ele não sobreviveria. Presos entre duas espécies em guerra, Dimitri passou séculos caçando os mortos-vivos para manter seu povo livre, e os humanos seguros. Ele havia sobrevivido honradamente quando outros tinham escolhido a desistir de suas almas. Mas agora, marcado para o extermínio dos Lycans, Dimitri encontrou-se sozinho, e temendo por sua vida. Mas a salvação foi encontra-lo.

Nenhum Lycan suspeitaria que alguém como Skyler ousaria montar uma operação de resgate em segredo. Uma adolescente. Um ser humano de habilidades não testadas.Mas ela tinha algo que ninguém mais tinha. Ela estava predestinado para Dimitri - como ele estava para ela. E não havia nada mais forte para Skyler do que o seu desejo de ver o seu sonho de vida tornar-se realidade. Seja qual for o risco.


Agora é só aguardar o lançamento de mais este livro que foi tão aguardado. O lançamento esta previsto para o dia 07 de Janeiro de 2014. Se conseguir trarei o primeiro capitulo para vocês.

E em setembro de 2014 será lançado o terceiro desta trilogia dentro da série que é Dark Blood. Trarei mais novidades sobre este livro assim que forem surgindo ok?

Agora como foi prometido antes trago o primeiro capitulo de Dark Lycan.





1º  Capitulo

A névoa flutuava por entre as árvores. A lua, não muito cheia, era com um halo amarelo, sem graça e ainda ofuscante. Ao redor da lua um anel vermelho exalava um brilho sinistro. Este ciclo da lua é um momento perigoso, especialmente quando a névoa vinha densa e pesada, se elevando à meio metro do chão, ou mais alta, serpenteando entre as árvores como se estivesse viva. A névoa abafava o som, entorpecia os sentidos, dando vantagens para as figuras sombrias que atacavam os desavisados.
Tatijana dos Dragonseeker acordou debaixo da terra, com camadas de barro escuro, rico em propriedades curativas em torno dela. Nutrientes vitais, rica em minerais, acomodando seu corpo. Esteve deitada por muito tempo, em pânico, ouvindo seu próprio coração batendo, se sentindo muito leve, muito presa, muito exposta. E quente. Tão quente. Acima dela, sentiu os guardiões. Olhando por ela, eles disseram, e provavelmente fosse verdade, mas tinha ficado presa por tanto tempo, nasceu em cativeiro, e não confiava em ninguém a não ser em sua irmã Branislava.  Bronnie dormia pacificamente, muito próxima a ela, seu único conforto.
Seu coração bateu mais alto, como um trovão em seus ouvidos. Não poderia ficar presa sob a terra. Tinha que sair, encontrar a liberdade. Para se sentir livre. Como seria isso? Não conhecia nada do mundo. Viveu toda a sua vida no subsolo, nas profundezas das cavernas de gelo, nunca viu ou falou com qualquer outra pessoa a não ser aqueles que a torturaram e tentaram aterrorizá-la. Não conheceu outra vida, mas o que tinha mudado – não tinha?
Teriam Bronnie e ela trocado a prisão fria e assustadora por uma gaiola de seda? Se assim fosse, os guardas cometeram um enorme erro as colocando no chão para se recuperarem. Ela mal sabia como era sua forma real. Passou séculos na forma de dragão e dragões podiam se mover através da terra com bastante facilidade.
Bronnie. Ela sussurrou na mente de sua irmã. Sei que você precisa dormir. Vou continuar a explorar o nosso novo mundo e voltar de madrugada com novas informações.
Branislava se agitou em sua mente como se pudesse protestar, como tinha feito cada vez que Tatijana dizia que estava indo.
Eu preciso fazer isso.
Irei com você, Bronnie respondeu, sua voz muito distante, mesmo estando na mente de Tatijana.
Tatijana sabia que Branislava iria se obrigar a despertar, embora ela não estivesse realmente curada por dentro, onde ambas precisavam. Elas fizeram tudo juntas – atravessaram o pior juntas. Nunca realmente se separam, mesmo quando envoltas em gelo, quando só podiam olhar uma para a outra. Ainda tinham comunicação telepática.
Não desta vez, Bronnie, eu preciso fazer isso por mim. Sussurrou as mesmas palavras que disse nas ocasiões em que despertou para explorar o seu novo mundo. Sempre garantindo a Bronnie que seria cuidadosa.
Ninguém jamais aprisionaria qualquer uma delas novamente. A cada subida fazia esse voto simples. Estava ficando mais forte a cada noite que passava. Poder corria através de seu corpo e, com isso, a confiança. Estava decidida que ficaria por conta própria e não estaria subordinada a ninguém.
Tatijana não sabia como dizer a sua irmã que não queria viver sob as regras dos outros. Elas eram Cárpatos. Dragonseeker. Isso significava algo para o Príncipe dos Cárpatos e para todos os outros. Os machos fariam fila na esperança de reivindicar Bronnie, ou ela. Ela não poderia viver sob o domínio de outros. Simplesmente não podia fazer. Não queria ninguém lhe dizendo o que fazer nunca mais, mesmo que fosse para seu próprio bem. Levantaria quando quisesse e exploraria seu novo mundo em seus próprios termos.
Tatijana decidiu que encontraria seu próprio caminho, aprenderia o seu próprio caminho, cometeria seus próprios erros. Bronnie sempre foi a voz da razão. Ela a protegia de sua natureza impulsiva, mas não mais. Tanto quanto ela amava Branislava, isso era algo que necessitava.
Enviou a sua irmã amor e calidez, e a promessa que voltaria de madrugada. A Metamorfose para surgir na forma de um dragão azul foi fácil – esteve nesta forma durante séculos, sentia a estrutura e forma mais familiar do que o seu próprio corpo.
Se enterrando mais fundo, indo para a terra, em vez de subir, onde seus guardiões iriam vê-la. Ela já tinha cavado um túnel, e se moveu rapidamente através do solo compactado. Tinha escolhido sair a vários quilômetros de distância de seu lugar de descanso, a fim de garantir a segurança de Branislava e ter a certeza de que os guardiões não teriam nenhuma ideia que ela tinha se levantado cedo. O dragão azul atravessou o túnel como uma toupeira, cavando quando necessário, removendo toda a sujeira que havia desmoronado enquanto se apressou firmemente em direção a sua meta.
Tatijana emergiu nas profundezas da floresta. Foi muito cuidadosa ao verificar a terra sobre ela antes do dragão azul enfiar a cabeça em forma de cunha na saída escondida. Emergiu no meio de uma névoa cinza espessa. Árvores apareceram como espantalhos disformes gigantes com os braços estendidos, balançando um pouco, apenas o suficiente para lhes dar a aparência de monstros.
Conhecia verdadeiros monstros e a densa floresta de árvores cobertas por um manto cinza não a alarmava no mínimo. A liberdade era incrível. Seus olhos estavam terrivelmente sensíveis, mas, além disso, se sentia como se o mundo fosse dela e com o nevoeiro cobrindo o chão, os olhos nem sequer queimava.
Trocou a sua forma física, vestindo roupas modernas, um par de calças de algodão macio que permitia a ela liberdade de movimento. Escolheu uma blusa que tinha visto numa mulher na aldeia algumas noites antes. Seguiu a mulher, estudando seu estilo de roupa para que pudesse reproduzi-la à vontade. Tudo parecia estranho, mas isso fazia parte da emoção da descoberta. Ela queria aprendizado tátil, não apenas puxar informações da mente de outra pessoa.
Caminhou através da floresta, apreciando a forma como o nevoeiro envolvia sua pernas, a fazendo sentir como se estivesse andando através das nuvens. Se lembrou, no último momento de adicionar sapatos, algo que ainda era muito desconfortável para ela. Parecia como se os sapatos a sobrecarregassem e se sentiam muito estranhos em seu corpo.
O vento soprava por entre as árvores, levantando folhas e girando em torno de troncos em meio ao nevoeiro. A névoa começou a se levantar do chão enquanto caminhava em direção a única luz na margem da floresta que podia ver. Música fluía do prédio, cantando para ela, acenando, mas desta vez sabia que não estava indo apenas para ouvir aquelas belas notas. Normalmente escolhia um local diferente a cada noite para recolher mais informações e compartilhar com sua irmã.
Este lugar chamava por ela a cada elevações agora. O sentimento era tão forte que era quase uma compulsão. Resistiu por alguns dias, mas não podia se deter mais uma noite. Se aproximou do edifício. As janelas estavam acesas com o mesmo brilho amarelo, dois olhos olhando para ela através da névoa espessa. Um arrepio lhe percorreu a espinha, mas continuou andando em direção ao lugar.
  
A Taverna Wild Boar se localizava a beira da floresta, cercada em três lados por moitas densas, árvores e bastante cobertura para quem precisasse se esconder rapidamente. Fornecendo abrigo e camuflagem, bem como saídas fáceis para quem se aventurasse a infringir a lei, os frequentadores encontravam conforto junto ao fogo, comida quente e muita bebida. O povo era grosseiro, não era um lugar para os tímidos, e mesmo os agentes da lei geralmente evitavam o lugar. Ninguém fazia perguntas e todos tinham o cuidado de não notificar nada oficialmente.
Fenris Dalka vinha à taberna quase todas as noites, então por que se sentia um tolo sentado no bar, tomando de uma cerveja lentamente, fingindo beber como sempre fazia? Deixou escapar o fôlego e manteve seu olhar para frente, usando o espelho para manter um olho na porta. Do seu ponto de vista, podia ver cada canto da taverna, bem como a porta. Tinha, há algum tempo, o lugar perfeito para se sentar e monitorar o local, e agora se ele chegasse e alguém estivesse sentado lá, ele ficava em cima dele, encarando, até que se levantasse e o seu lugar ficasse vago.
Sabia que intimidava e usava suas feições duras a seu favor, parecia perigoso. Era bastante alto, mas os ombros largos e peito musculoso, braços forte, a barba por fazer, e o piercing sobre os olhos azul glacial, que ele usava para olhar através de alguém direto em sua alma, geralmente intimidava as pessoas. Raramente tinha que falar e preferia que fosse assim. Os frequentadores o conheciam e sabiam que era melhor o deixar sozinho.
A música tocava ao fundo e risos ocasionalmente soavam, mas na maior parte os clientes falavam em sussurros. Apenas o barman alguma vez falava com ele quando entrava. Alguns dos frequentadores levantavam uma mão, ou acenavam com a cabeça, mas a maioria evitava seus olhos. Ele parecia quase tão perigoso quanto ele era. Um homem sem amigos, confiava apenas em seu irmão e sempre era a caça ou o caçador. Era ainda mais impiedoso e brutal do que diziam os sussurros.
Seu cabelo era longo, muito grossos e com nítidos fios prateado entremeados nos negros, caindo em ondas nas costas. Na maioria das vezes, prendia em sua nuca com um cordão de couro para os manter fora de seus olhos. Tinha as mãos grandes, e os dedos marcados. Havia cicatrizes em seu rosto, uma perto do olho e outra que ia do olho até metade do rosto. Haviam bem mais cicatrizes em seu corpo. Séculos se defendendo, cada batalha e cada vitória estavam estampada em seus ossos.
Conversas sussurradas eram fáceis de serem ouvidas com sua audição bastante aguçada, o que lhe permitia recolher uma quantidade enorme de informações. Mas hoje era diferente. Não estava aqui por informação... ele foi atraído... compelido por algo completamente diferente desta vez.
Desconfortável, brincava com sua caneca de cerveja, movendo os dedos sobre a alça, apertando com a mão e se forçando a soltar antes que quebrasse o vidro. Não era um homem que recebia ordens de outro. Não confiava em qualquer coisa que não conseguisse entender – e não entendia a necessidade urgente que o manteve vindo noite após noite, esperando.
Esta era uma taberna para os transgressores. Para reuniões clandestinas. Ele e seu irmão descobriram a taberna quando ele chegou pela primeira vez nas montanhas dos Cárpatos. Foi necessário encontrar um local seguro, fora do caminho, onde eles podiam passar o tempo e falar sem serem visto por qualquer pessoa que pudesse conhecer qualquer um deles. Queria ter certeza absoluta de que seu irmão mais novo estava a salvo. Ninguém podia saber que eram irmãos. Ninguém jamais poderia associar os dois, ou estaria colocando a vida de seu irmão em risco – algo que não estava disposto a fazer. Tantos anos se passaram, que todos o esqueceram – ou pensaram que ele estivesse morto – e para a proteção de seu irmão essa mentira teria que permanecer.
Conhecia todos os rostos na taberna. A maioria vinha à mais tempo do que ele. O mais novo cliente era o mais suspeito. Ele chegou na área apenas há duas semanas. Ele tinha uma estrutura corporal de um caçador – um lenhador – contudo se vestia mais refinado. Não era alguém para tomar de ânimo leve. Qualquer um podia ver pela forma como ele se movia que seria bom em uma luta. Definitivamente estava armado. Atendia pelo nome de Zev e claramente era novo para a área. Não divulgou o seu negócio, mas apostaria o seu último dólar que estava caçando alguém. Não se parecia com agente da lei, mas definitivamente estava perseguindo alguém. Esperava que não fosse ele, mas se fosse, aproveitaria todas as oportunidades para o estudar, a forma como se movia, que mão lhe favorecia, onde as armas estavam.
Zev usava o cabelo mais longo do que o habitual, assim como ele. O cabelo era de uma cor castanha profunda e muito grosso, muito parecido com um pelo abundante. Os olhos eram cinzentos e atentos, sempre em movimento, sempre inquietos, enquanto seu corpo permanecia imóvel. Achou digno de nota que ninguém no bar ainda o tinha desafiado.
O vento aumentou, correndo por entre as árvores caprichoso e divertido, levando galhos contra os lados da taverna de modo que eles rangiam e raspavam, uma proclamação de perigo se pudesse ler as informações que ele fornecia. Soltou a respiração e olhou através da janela para a floresta escura.
A névoa serpenteava por entre as árvores, se estendendo como dedos gananciosos, serpenteando entre as árvores, cercando a floresta em um espesso véu cinza. Precisava ir – agora – tinha apenas cinco dias antes da lua cheia – isso lhe deixava dois dias para encontrar um lugar seguro para enfrentar a ameaça para ele. Os três dias antes da lua cheia, a lua cheia e os três dias depois eram os mais perigosos para ele. No entanto, não se mexeu do banquinho de bar, nem mesmo quando a autopreservação gritou para ele. Cada fio de cabelo em seu corpo levantou em alerta e se estendia como antena para pegar o menor dos detalhes.
Ele espalhava gotículas frias de suor no vidro, seu olhar foi atraído para o espelho mais uma vez. Não tinha toda a gama de cores espectrais, exceto na luz mais fraca, no mais ele podia ver tons de cinza. Não poderia dizer a diferença entre o amarelo, verde ou laranja, tudo parecia o mesmo para ele, uma cor amarelada maçante. O vermelho parecia marrom, cinza ou preto, mas podia detectar o azul. O que lhe faltava em suas habilidades de distinguir as cores, ele as compensava com a sua aguda audição, olfato e sua visão de longo alcance.
Um perfume chegou até ele quando ela abriu a porta. Uma mulher. A mulher. Ela era a isca para pegá-lo? Se assim fosse, ele estava fisgado. Esse cheiro dela – terra fresca, floresta, mel silvestre, de misteriosos lugares secretos e a própria noite, o chamava como nenhum outro perfume caro jamais poderia. Ela tinha estado dentro e fora da taberna durante a última semana. Três visitas, e ainda assim ele já estava sob seu feitiço.
Ela o capturou sem esforço, sem fazer nada, apenas por caminhar através da porta. Nunca tinha visto uma mulher tão bonita ou atraente. Ela literalmente parou toda a conversa no momento em que entrou, mas não pareceu notar. E esse era o problema. Era muito jovem e ingênua, muito inocente para vir desacompanhada num lugar como este.
Ouviu os sussurros de alguns dos homens e sabia que ela não estava segura. As duas garçonetes olharam para ela, conscientes do momento em que ela entrou, elas não tinham mais a atenção dos homens. Mais uma vez, a mulher parecia completamente inconsciente. Caminhava com confiança, mas parecia não prestar atenção aos predadores em torno dela – e eles eram predadores. A única razão pela qual ela não foi atacada até agora foi porque ele deixou bem claro que ela estava sob sua proteção. Quando um dos homens começou a fazer uma jogada em cima dela, ele se levantou. Isso foi tudo. Ele apenas se levantou.
O homem parou imediatamente e ninguém se atreveu a fazer outro movimento, mas era apenas uma questão de tempo. Pelo que ouviu, os três conspiradores planejavam segui-la quando ela saísse da taberna e Fen não estaria por perto para protegê-la. Bem, isso era desleal. Um amigo dos dois conspiradores conversava tentando dar bom senso a eles. Ele poderia ter dito a eles para não colocar dinheiro nesse plano e que ouvir seu amigo era a melhor ideia, mas ele não se incomodou. Girou os ombros lentamente, abriu e fechou os punhos, esticando os dedos e olhando para as mãos que poderiam ser armas mortais. Ele precisava se exercitar.
Ele a olhou no espelho. Tinha a visto experimentar uma bebida cada vez que vinha, ela obviamente vira alguém beber, e cada vez que bebia fazia uma cara horrível e cuspia a bebida de volta para o copo, balançava a cabeça e se afastava do bar para a pequena área onde ela podia dançar. Mais uma vez ela parecia completamente alheia àqueles ao seu redor, se perdendo na música. Ele estava certo de que vinha para a taberna só porque amava a música.
Ela nunca falou, nem mesmo com o barman, e ele se perguntava se ela não podia falar. Sua pele era de porcelana branca, como se nunca visse o sol. Seu cabelo era lindo, caindo muito além de sua cintura, longo o bastante para que provavelmente pudesse sentar sobre ele, como se nunca o cortou em sua vida. Ela o usava numa trançada que era tão grossa como seu pulso. Os fios sedosos eram de uma cor que não conseguia definir, mas quando a luz batia direto sobre eles a cor parecia mudar, embora pudesse ser apenas o modo que ele percebia a cor.
Seus olhos se encontraram com os dela. Ele não conseguia parar de olhar para eles e enquanto ela dançava, ela de repente os abriu, e ele os encontraram no espelho. Seu coração quase parou e depois começou a bater. As mulheres não tinham esse tipo de efeito sobre ele. Sua boca não fica seca. Sua mandíbula não doía e seus caninos não cresciam afiados. Ele estava sempre – sempre – no controle. E ainda... Ele ouviu um trovão rugindo em seus ouvidos, e respirou fundo, chamando séculos de disciplina.
Emoções entorpeciam e desapareciam no tempo. O pouco que sentia, sentia em sua outra forma, não nesta. Às vezes, ele se esquecia de como era estar em sua forma atual. No entanto, agora, olhando nos olhos dela, descobriu que não conseguia desviar o olhar. Ela o hipnotizava. Cativava. Não confiava nela. Não confiava em sua reação estranha, muito estranha para com ela.
Uma rajada de vento atingiu a taberna duramente, explodindo pela chaminé e elevando faíscas na lareira. Uma tora caiu da grade de ferro e rolou para a abertura, parando abruptamente, mas as chamas saltaram e dançaram, enquanto rachaduras dentro da tora brilhava intensamente. Ele balançou a cabeça em direção à janela. A névoa espessa girava para fora da floresta, fios de cinza, se envolviam em torno da taverna, abrangendo todo o edifício numa teia de aranha gigante de névoa brilhante.
A mulher parou de dançar, chamando a atenção para ela. Ela olhou fixamente para o fogo, como se estivesse fascinada por ele, como ele estava com ela. Ela se aproximou e ele se encontrou franzindo a testa a observando de perto no espelho. Seus olhos refletiam as chamas pulando, quase como se o cristalino fossem multifacetado, lembrando o corte de um diamante. Ela chegou mais perto, muito perto. A lareira estava aberta. Montanhas de cinzas brilhavam, chamas saltaram avidamente. Ele escorregou do banquinho do bar.
Ela lentamente estendeu a mão na direção da chama. O movimento levaria a palma da mão direito para o centro do fogo. Ele moveu usando a velocidade desfocada, chegando por trás dela, procurando e pegando seu pulso, puxando a mão de volta para longe das chamas antes que pudessem provocar bolhas em sua pele macia.
Por um momento, ela endureceu como se pudesse lutar com ele. Ele sentiu um roçar, o mais leve dos toques em sua mente, que o chocou. Quem era ela? O que era ela? Ele segurou suas barreiras sem esforço, e manteve seu toque suave, tomando cuidado para não transmitir uma ameaça de qualquer tipo. Ela relaxou e ele inalou o cheiro dela, com a cabeça perto do ombro, de modo que a grossa trança de cabelo sedoso roçava sua pele e seu perfume feminino o envolveu. Ele o puxou profundamente em seus pulmões. Ela cheirava a pecado. Como sexo. Como o paraíso e tudo o que ele não tinha – e jamais – teria.
— Está quente. O fogo vai queimar você  — ele disse em voz baixa, se certificando que ninguém mais na taberna ouviria.
Ela era inteligente, ele podia ver isso, mas algo aconteceu com ela e claramente, havia coisas que nunca experimentou e não tinha conhecimento. Amnésia? Trauma? Não havia outra explicação. Todo mundo sabia sobre o fogo e sua falta de conhecimento apenas a fez muito mais vulnerável.
Ela virou a cabeça lentamente para o olhar por cima do ombro, franzindo ligeiramente a testa, uma expressão perplexa no rosto. Assim tão perto, ela apareceu etérea, misteriosa, sua pele suave como a seda, palpável. Ele nunca esteve tão atraído por outro ser em sua vida.
— Sua pele vai queimar — explicou pacientemente. — Seria extremamente doloroso para você.
Ela continuou a olhar para ele confusa. Ele tentou repetir o aviso em vários idiomas. Ela apenas olhou para ele e eles estavam chamando atenção demais. Toda vez que ela se movia, tinha os olhos de todos na taverna e não queria que ninguém pensasse que ela fosse uma presa fácil por sua falta de conhecimento das necessidades mais básica, tais como fogo. No final, não havia mais nada a fazer. Ele pressionou o braço dela para baixo a seu lado, a contornou e estendeu a mão com a palma para baixo para as chamas.
Ela observou, com os olhos arregalados quando sua pele empolou e o cheiro de carne queimada subiu. Ela pegou o braço e puxou a mão da lareira.
— Você entendeu? — Ele perguntou, mostrando a ela o dano.
Ela virou a mão dele, a palma da mão dela cobrindo a queimadura, não muito ternamente, mas ele ainda sentiu a energia vibrando através de sua pele. O frescor calmante deslizou sobre as bolhas. Ela levou a palma da mão em direção a sua boca. Ele prendeu a respiração em seus pulmões, o ar retido lá. Não conseguia se mover ou mesmo falar quando ela inclinou a cabeça em direção a palma da mão. Sua língua tocou as bolhas, levemente, quase indetectável, um roçar lento que realmente fez sua mão tremer e os seus joelhos um pouco fracos. Pior ainda, seu corpo reagiu com uma onda quente de sangue, correndo e agrupando numa demanda perversa.
Ela soltou sua mão lentamente, quase com relutância. Ele levantou a mão para a inspecionar, ainda sentindo o frio calmante, como se tivesse espalhado um gel de cura sobre a pele empolada. As bolhas haviam desaparecido. Sua palma já não estava queimada, nem mesmo vermelha.
Ele prendeu a respiração bruscamente. Sabia o que ela era. Nenhuma outra espécie poderia curar apenas com a sua saliva com tanta facilidade. Ela tinha que ser Cárpatos – uma raça de seres que chamavam as montanhas dos Cárpatos de sua casa. Poucos sabiam de sua existência. Franziu a testa, tentando envolver seu cérebro em torno da ideia. Na verdade, não fazia sentido. Duvidava que uma mulher dos Cárpatos tivesse chegado a um botequim sozinha, especialmente um lugar violento como o Wild Boar. Ela não só não teria conhecimento de fogo, mas ela seria bem-treinada em todas as coisas. Nenhum Cárpatos vivia tanto tempo sem adquirir uma grande quantidade de conhecimento ao longo do caminho. O que aconteceu com ela? E por que estava sem escolta?
Sentiu o peso de um olhar e olhou para cima para encontrar o olhar de Zev. Zev estava olhando para a mulher. Instintivamente, Fen mudou seu corpo ligeiramente, bloqueando a visão de Zev dela. Seu olhar saltou para o rosto e, em seguida, ela espiou ao redor de seu corpo largo para olhar para Zev e depois recuou para trás dele.
— Você não está segura aqui, — Fen disse, relutante em admitir isso. — Estas pessoas são violentas.
Ela sorriu para ele. Sorriu. Seu coração parou. Seu estômago se apertou e sangue subiu quente em suas veias. Seus dentes eram muito brancos, lábios cheio, vermelho, coisa para fantasias. Respirou fundo, sabendo que era um erro, mas a levando em seus pulmões de qualquer maneira. Tomou-a profundamente e deixou lá, girando ao redor, se torcendo em suas entranhas até que ele soubesse que poderia – iria – a encontrar novamente.
Ele inclinou o queixo para que ela olhasse para sua boca. 
— Zev em particular, é perigoso. Ele murmurou as palavras, em vez de emitir som, temendo que Zev tivesse a mesma audição extraordinária que ele. — Os outros também, mas não como ele. Você entendeu?
Tatijana assentiu. Claro que ela entendia, embora ela estivesse mais preocupada com o efeito do toque dele do que com a advertência que ele lhe deu. Ela estava definitivamente atraída por este homem – Fen era seu nome. Ele parecia humano quando ela roçou sua mente com um contato leve – assim como todos os outros na taberna – e ainda Fen a intrigava. Ele havia se movido com uma velocidade estonteante. Velocidade sobrenatural. Como ele poderia ser humano e ainda se mover com a velocidade de um Cárpatos. Mais – ela não sentira qualquer energia o precedendo, e ela deveria ter sentido.
Ele era muito mais musculoso do que a maioria dos homens Cárpatos, também era alto. Seus olhos eram diferentes e ela passou uma enorme quantidade de tempo secretamente estudando seus olhos enquanto ele se sentava no bar, brincando com sua bebida. Não estava realmente bebendo, mas no decorrer do tempo o líquido desaparecia. Não descobriu ainda como ele estava realizando essa façanha em particular, mas sabia que queria aprender.
Por que ele tinha escolhido Zev em particular como perigoso? Ele parecia como qualquer outro ser humano na taberna. 
— Por que Zev? — Ela era perita em ler lábios. Tinha aprendido há muito tempo quando criança, presa no gelo, vendo a crueldade de seu pai como ele sacrificava animais e seres humanos igualmente. Ninguém estava a salvo. Magos, Cárpatos, Jaguar, Lycan – nenhuma espécie ficou ilesa. Mesmo os mortos não estavam a salvo de Xavier.
Balbuciou a questão de Fen, se certificando que nenhum som escapasse acidentalmente, apenas no caso de que ele fosse Cárpatos. Estava tão inexplicavelmente atraída por Fen, e ele era definitivamente um ponto de interrogação em sua mente, assim ela não ia arriscar. Não estava pronta para qualquer macho a reclamar. Precisava de um tempo sozinha, tinha se informado de tudo sobre companheiros e como um macho poderia assumir sua vida, mesmo sem o seu consentimento. Isso não podia acontecer – não com ela. Não agora. Estava, na verdade, pela primeira vez em sua existência desfrutando de sua vida. O caminho da descoberta era emocionante. Se sentia tão viva e não queria que nada nem ninguém tirasse isso dela.
Na verdade, não estava completamente certa de que ela poderia ter um relacionamento com alguém – pelo menos um saudável. Isso exigiria confiança, e simplesmente não tinha isso. Só confiava em Branislava, sua única aliada. Elas estiveram juntas sempre, era difícil pensar em ficar longe, mas Tatijana sabia que precisava desesperadamente desse tempo sozinha. Como é que descobririam quem elas eram e o que elas gostavam, se não nunca tivessem tempo para descobrir?
— Eu apenas sei  — Fen murmurou de volta. Ele estendeu a mão e colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha dela.
A respiração dela ficou presa na garganta. O toque dele fez algo estranho com todo o seu corpo e foi alarmante. Ela deu um passo para trás, incapaz de desviar seus olhos dos dele.
O som de um lobo uivando lá fora, a distância fez os dois virarem a cabeça em direção à janela ao mesmo tempo. Com o canto do olho, ela viu que Zev também virava na direção do som e Fen definitivamente percebeu seu movimento também. Ela não conseguiu ver que mais alguém tivesse ouvido esse som arrepiante.
Isso não era um lobo uivando para a lua, era o som de um lobo chamando os outros para caçar. Pelo menos três outros responderam, ainda mais distante, mas não soava como a alcateia de lobos local. Eles soaram agressivos e ansiosos, como se já tivessem a presa à vista. Mais do que isso – aos seus ouvidos – a chamada soou um pouco distante, como se os lobos estivessem longe.
Seu olhar saltou para o rosto de Fen. Ele ficou muito quieto. Completamente imóvel. Sua expressão não mudou em tudo, mas sentiu a diferença nele. Parecia relaxado, mas o sentiu tenso e pronto.
— Tenho que ir  — ela murmurou para ele e retrocedeu outro passo.
Sua atenção voltou imediatamente para ela. Ele franziu a testa e olhou para fora da janela novamente.
— Eu vou levá-la. — Ele disse isso em voz alta neste momento.
Cabeças se viraram na taberna em direção a eles. Dois dos homens fizeram uma careta, aqueles, ele notou, que tinham sussurrado juntos que iriam segui-la. Claramente seu amigo não tinha os convencido, embora ele ainda parecia estar discutindo.
Tatijana tinha esperado que isso acontecesse mais cedo ou mais tarde, mas tudo o que tinha a fazer era se dissolver em névoa e ir embora. Os homens nunca saberiam o que aconteceu com ela. Tinha toda a confiança de que não importa o quê, estaria segura.
Tatijana sabia que Fen havia anunciado sua intenção de caminhar com ela, porque estava tentando garantir que ela estivesse a salvo dos homens na taberna – e talvez o que quer que estivesse fora lá também. Sua primeira intuição de autopreservação exigia que ela recusasse sua oferta. Mas havia essa compulsão a empurrando, querendo apenas estar em sua companhia, sem motivo aparente.
Tomou uma oportunidade e escaneou sua mente uma segunda vez. Ele parecia um homem extraordinário... Talvez fosse a contradição intrigante que ele representava, ou talvez fosse a maneira como a atraia como um ímã, mas deu um leve aceno com a cabeça para o deixar saber que andaria um pouco com ele. Em qualquer caso, sabia que poderia protegê-lo se houvesse problemas.
Zev se afastou do bar, abotoou o casaco e saiu sem ao menos olhar em sua direção. Como se as palavras de Fen fossem um sinal, os três homens amontoados que sussurraram suas conspirações, se levantaram, puxaram seus casacos e chapéus, para sair da taverna também. Um dos homens olhou um pouco nervoso para Fen enquanto os outros dois olhavam lascivamente para Tatijana.
Seu coração se afundou. Claramente ela estava colocando Fen em perigo, ao concordar em caminhar com ele. Abriu a boca para dizer que iria sozinha, mas ele pegou a sua mão e a puxou para a porta. No momento em que o calor de sua mão se fechou em torno dela, seu coração acelerou e um milhão de asas de borboletas revoaram em seu estômago. Suas mãos eram muito maiores do que as dela e ele completamente envolveu a sua mão menor, a fazendo se sentir feminina e muito mulher – um novo conceito para ela.
Não queria que essa sensação incrível fosse embora. Em qualquer caso, estava certa de que pudesse proteger Fen sem que ele soubesse quem ela era. Se necessário, iria remover todas as memórias ruins. Ela também precisava se alimentar. Não era tão difícil se convencer de que tinha muito boas razões para permitir que Fen a acompanhasse através da floresta.
— Onde está o seu casaco? — Perguntou Fen.
Casaco. Todos estavam usando um casaco. Cárpatos regulam suas temperaturas. Ela não sentia muito calor ou frio, foi por isso que não sentiu as chamas, mas eles deixavam seu modo de vida para se encaixarem com o dos seres humanos. Essa era uma das maiores regras que regiam a sociedade. Ninguém poderia saber de sua existência. Antes que ela e Bronnie fossem colocadas na terra para se curarem, a doutrina havia sido inserida dentro dela. Esqueceu um casaco.
Olhou em direção aos cabides irregulares na porta onde muitos dos clientes penduravam os casacos e chapéus. Ao mesmo tempo um casaco longo e com capuz apareceu lá. Deu uma olhada rápida no espelho, grata que ninguém pareceu notar. Indicou o casaco com um pequeno empurrão de seu queixo. Se Fen ficou assustado, não deu nenhuma indicação. Simplesmente tirou o casaco comprido do cabide e o ergueu.
Hesitou, não tinha certeza o que deveria fazer. Fen se aproximou e passou seu braço numa das mangas, envolvendo o casaco em torno dela. Ele esperou pacientemente que ela colocasse o outro braço na outra manga. Ele girou e abotoou o casaco para ela. O tempo todo, enquanto ele colocava cada botão na presilha, ela prendeu a respiração e olhou para o rosto dele.
Ele era bonito. Marcado com cicatrizes, áspero, totalmente masculino, mas bonito mesmo assim. Memorizou a sua estrutura óssea, a forma do nariz, o corte de sua boca e a sua forte mandíbula. Queria se lembrar dele por toda a sua vida – lembrar este momento. Ela poderia nunca ter outro momento ou sensação semelhante novamente, e este era um que precisava saborear.
Fen a contornou e abriu a porta. Uma rajada de ar frio entrou. Ela ergueu o queixo inalando a noite, permitindo que o vento trouxesse informações. Fen respirou fundo e saiu à sua frente, mantendo a posse de sua mão. Seu corpo parcialmente bloqueava o dela dos elementos, enquanto ele dava uma olhada cuidadosa ao redor.
A névoa cinzenta agitava e girava, bloqueando a visão da floresta a partir da taberna. O pior de tudo eram que as árvores se elevavam assustadoramente no céu, ainda que obscurecidos e um pouco disforme, os topos pareciam como se flutuassem sem troncos.
— Qual o caminho? — perguntou Fen.
Tatijana indicou para a esquerda, para a floresta. Os lobos estavam quietos e esperava que eles ainda estivessem a uma grande distância. Fen puxou um pouco sua mão para a trazer para perto dele, e eles partiram. Ela sentiu o cheiro de Zev, um forte, antigo cheiro de floresta, que se agarrava a Fen também. Gostava muito. O cheiro era tudo sobre correr livre, algo que queria mais do que qualquer coisa.
Havia na noite nessa fragrância sedutora – uma noite escura e fria com um céu azul-noite, com estrelas no céu e uma lua cheia em volta também. Esse aroma esquivo evocava tudo o que tinha chegado a amar no curto espaço de tempo em que foi libertada de sua prisão. Mais, queria ficar perto de Fen e apenas inspirá-lo em seus pulmões, o levar profundamente para que nunca o esquecesse.
— Me diga seu nome. Sou Fen. Fenris Dalka. — Ele não quebrou o passo, caminhando com confiança absoluta na floresta. Parecia um homem sem muito medo.
Ela olhou para ele. O estudando cuidadosamente e fez mais uma varredura, apenas para ter certeza de que estava segura. Abriu a boca para lhe dizer, mas simplesmente não conseguia. Algo a deteve. Havia uma compulsão muito forte para estar com ele. Talvez fosse tudo novo para ela, essa atração entre um homem e uma mulher, apenas nunca aconteceu isso antes. Não ficou atraída por ninguém na taberna, nem mesmo uma única faísca. Balançou a cabeça e sorriu para ele.
Ele devolveu o sorriso.
— Você sabe que o mistério é muito intrigante numa mulher, certo? Vou ficar mais apaixonado do que nunca. Sou capaz de ler lábios — acrescentou.
Queria que ele soubesse o nome dela. Declamou ‘Tatijana’, exagerando cada sílaba, então seria mais fácil. Ele compreendeu na primeira tentativa.
— Tatijana é um nome bonito. Você mora perto?
Ela encolheu os ombros, feliz por apenas estar andando com ele. O corpo dele exalava um calor inesperado e se permitiu sentir. Precisava sentir cada momento com ele. Sabia que devia soltar a mão da dele. Não o conhecia. Não conhecia a etiqueta apropriada entre um homem e uma mulher, mas justo neste momento, pela primeira vez em sua vida, se sentia normal. Real. Ela não era Cárpatos. Não era Dragonseeker. Não era a filha de um mago. Era uma mulher que apreciava a companhia de um homem.
— Eu morei aqui há muito tempo, — Fen comentou. — Só voltei para uma curta visita e devo ir novamente. — Ele olhou em volta para as formas escuras das árvores elevadas na névoa. —Tinha esquecido como é bonito.
Tatijana concordou com ele em silêncio. Queria dançar ali nas profundezas da floresta só porque estava tão feliz. Apenas algo tão simples como caminhar na floresta à noite a inundava de alegria e Fen era um bônus adicional. Ela assentiu com a cabeça, se sentindo um pouco tola porque não falava em voz alta, mas talvez ele pensasse que ela não poderia. Nem sequer se importo se isso significasse que tivesse pena dela, embora quando examinou os seus pensamentos, não encontrou piedade. Ela encontrou... atração.
— Você vive aqui há muito tempo? — ele perguntou.
Ela olhou para seu rosto. Ele não estava olhando para ela, apesar de que seu tom de voz a fez sentir como se ela fosse a pessoa mais importante do mundo, e ele quisesse uma resposta. Seu olhar era inquieto, se movendo constantemente, até os galhos das árvores, descendo ao longo do chão, sua visão tentando perfurar o véu pesado da névoa.
Teria ela perdido alguma coisa? Algum aviso? Deu um olhar cuidadoso ao redor, enviando os seus sentidos, escaneando com cuidado, tentando detectar uma ameaça. Apenas lá na frente e um pouco a esquerda, escondidos entre as árvores estavam os três homens que haviam deixado o bar depois de Zev. Ela suspirou. Claro. Sabia que eles iriam tentar atacá-la. Ela se permitiu ser arrastada para um mundo mágico, que não continha ameaças. Tudo e todos que poderiam ameaçá-la parecia triviais em comparação com Xavier.
Tocou o braço de Fen.
— Eu tenho que ir, — ela murmurou. — Você pode voltar agora.
Ela não iria envolvê-lo. Não estava certa de que ele fosse humano, mas se ele fosse, três contra um, mesmo quando ele parecia grande e letal, não era justo. Ela poderia se dissolver em névoa e eles nunca a encontrariam, mas Fen tinha de ser protegido, mesmo que fosse de sua própria bravura
Fen parou abruptamente.
— Você sabe que eles estão lá, não é?
Tatijana concordou com relutância. Ela estava se expondo muito, mas então ele também. Os três homens estavam distantes, impossíveis ver com a névoa pesada e a cobertura das árvores densas e arbustos.
— Vou cuidar deles. Você saia daqui.
Ela balançou a cabeça. Tinha medo do que aconteceria com o macho protetor. Ela enviou um pequeno “empurrão” para ele ir. Ele fez uma careta para ela, balançando a cabeça. Tatijana sabia que tinha cometido um erro terrível. Fen era muito mais do que parecia e o empurrão que enviou a ele apenas deu demasiada informação sobre ela.
O que ele era? Mago? Não pensa assim. Foi mantida prisioneira durante séculos pelo mago mais poderoso que o mundo já tinha conhecido e Fen não era fisicamente semelhante, e seu cérebro do mesmo modo. Jaguar? Ela não achava que sim. Isso deixava Cárpatos ou Lycan. Se fosse Cárpatos teria conhecido pelo seu campo de energia. Lycans eram a única espécie que não produzia esse campo de energia legível para os outros.
Ela deu uma chance. 
— Sou bem capaz de me defender. Você precisa sair. Esses homens estão atrás de mim, não de você.


Espero que tenham gostado da novidade e deste primeiro capitulo tão emocionante. Eu li o livro em inglês e adorei mas estou super ansiosa pelo livro do Dimitri.  Quando tiver o do próximo livro posto aqui no blog para vocês.


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