Olá Estrelas!!!
Em Janeiro será lançado nos EUA o 25º livro da série Cárpatos e um dos mais aguardados por todo fã da série.
Aqui esta a capa e a sinopse do livro.
ONDE DARK LYCAN FOI ENCERRADO, Dark Wolf começa ...
Este é o livro Número 25 da aclamada série CÁRPATOS DE CHRISTINE FEEHAN
Número 1 do New York Times a autora best-seller, Christine Feehan agora oferece seu mais aguardado romance de todos todos os tempos - 10 anos na fatura - na "a erótica e emocionante série, que definiu todo um gênero" (JR Ward).
Em Dark Lycan, Christine Feehan viaja para o coração dos Cárpatos, e trabalha nas almas de dois companheiros agitados pelo rubor da paixão e da ameaça de aniquilação.
Em Dark Wolf, a história de tirar o fôlego continua como os laços de família que estão em perigo, e o destino de dois amantes se esconde nas sombras sedutoras entre a vida e a morte.
Skyler Daratrazanoff sempre reconheceu o milagre que era Dimitri Tirunul, um homem além de qualquer sonho nunca havia envolvido suas noites. Mas ela era humana. Vulnerável. Ele era dos Cárpatos. Quase imortal. Ela tinha dezenove anos. Ele era um antigo. No entanto, ela segura a metade de sua alma, é a luz de sua escuridão.Sem ela, ele não sobreviveria. Presos entre duas espécies em guerra, Dimitri passou séculos caçando os mortos-vivos para manter seu povo livre, e os humanos seguros. Ele havia sobrevivido honradamente quando outros tinham escolhido a desistir de suas almas. Mas agora, marcado para o extermínio dos Lycans, Dimitri encontrou-se sozinho, e temendo por sua vida. Mas a salvação foi encontra-lo.
Nenhum Lycan suspeitaria que alguém como Skyler ousaria montar uma operação de resgate em segredo. Uma adolescente. Um ser humano de habilidades não testadas.Mas ela tinha algo que ninguém mais tinha. Ela estava predestinado para Dimitri - como ele estava para ela. E não havia nada mais forte para Skyler do que o seu desejo de ver o seu sonho de vida tornar-se realidade. Seja qual for o risco.
Skyler Daratrazanoff sempre reconheceu o milagre que era Dimitri Tirunul, um homem além de qualquer sonho nunca havia envolvido suas noites. Mas ela era humana. Vulnerável. Ele era dos Cárpatos. Quase imortal. Ela tinha dezenove anos. Ele era um antigo. No entanto, ela segura a metade de sua alma, é a luz de sua escuridão.Sem ela, ele não sobreviveria. Presos entre duas espécies em guerra, Dimitri passou séculos caçando os mortos-vivos para manter seu povo livre, e os humanos seguros. Ele havia sobrevivido honradamente quando outros tinham escolhido a desistir de suas almas. Mas agora, marcado para o extermínio dos Lycans, Dimitri encontrou-se sozinho, e temendo por sua vida. Mas a salvação foi encontra-lo.
Nenhum Lycan suspeitaria que alguém como Skyler ousaria montar uma operação de resgate em segredo. Uma adolescente. Um ser humano de habilidades não testadas.Mas ela tinha algo que ninguém mais tinha. Ela estava predestinado para Dimitri - como ele estava para ela. E não havia nada mais forte para Skyler do que o seu desejo de ver o seu sonho de vida tornar-se realidade. Seja qual for o risco.
Agora é só aguardar o lançamento de mais este livro que foi tão aguardado. O lançamento esta previsto para o dia 07 de Janeiro de 2014. Se conseguir trarei o primeiro capitulo para vocês.
E em setembro de 2014 será lançado o terceiro desta trilogia dentro da série que é Dark Blood. Trarei mais novidades sobre este livro assim que forem surgindo ok?
1º Capitulo
A névoa
flutuava por entre as árvores. A lua, não muito cheia, era com um halo amarelo,
sem graça e ainda ofuscante. Ao redor da lua um anel vermelho exalava um brilho
sinistro. Este ciclo da lua é um momento perigoso, especialmente quando a névoa
vinha densa e pesada, se elevando à meio metro do chão, ou mais alta,
serpenteando entre as árvores como se estivesse viva. A névoa abafava o som,
entorpecia os sentidos, dando vantagens para as figuras sombrias que atacavam
os desavisados.
Tatijana
dos Dragonseeker acordou debaixo da terra, com camadas de barro escuro, rico em
propriedades curativas em torno dela. Nutrientes vitais, rica em minerais,
acomodando seu corpo. Esteve deitada por muito tempo, em pânico, ouvindo seu
próprio coração batendo, se sentindo muito leve, muito presa, muito exposta. E
quente. Tão quente. Acima dela, sentiu os guardiões. Olhando por ela, eles disseram,
e provavelmente fosse verdade, mas tinha ficado presa por tanto tempo, nasceu
em cativeiro, e não confiava em ninguém a não ser em sua irmã Branislava. Bronnie dormia pacificamente, muito próxima a ela, seu único conforto.
Seu
coração bateu mais alto, como um trovão em seus ouvidos. Não poderia ficar
presa sob a terra. Tinha que sair, encontrar a liberdade. Para se sentir livre. Como seria isso? Não conhecia
nada do mundo. Viveu toda a sua vida no subsolo, nas profundezas das cavernas
de gelo, nunca viu ou falou com qualquer outra pessoa a não ser aqueles que a
torturaram e tentaram aterrorizá-la. Não conheceu outra vida, mas o que tinha
mudado – não tinha?
Teriam
Bronnie e ela trocado a prisão fria e assustadora por uma gaiola de seda? Se
assim fosse, os guardas cometeram um enorme erro as colocando no chão para se
recuperarem. Ela mal sabia como era sua forma real. Passou séculos na forma de
dragão e dragões podiam se mover através da terra com bastante facilidade.
Bronnie. Ela sussurrou na
mente de sua irmã. Sei que você precisa
dormir. Vou continuar a explorar o nosso novo mundo e voltar de madrugada com
novas informações.
Branislava
se agitou em sua mente como se pudesse protestar, como tinha feito cada vez que
Tatijana dizia que estava indo.
Eu preciso fazer isso.
Irei com você, Bronnie
respondeu, sua voz muito distante, mesmo estando na mente de Tatijana.
Tatijana
sabia que Branislava iria se obrigar a despertar, embora ela não estivesse
realmente curada por dentro, onde ambas precisavam. Elas fizeram tudo juntas –
atravessaram o pior juntas. Nunca realmente se separam, mesmo quando envoltas
em gelo, quando só podiam olhar uma para a outra. Ainda tinham comunicação
telepática.
Não desta vez, Bronnie, eu preciso fazer isso por mim. Sussurrou as mesmas palavras que disse nas ocasiões em que
despertou para explorar o seu novo mundo. Sempre garantindo a Bronnie que seria
cuidadosa.
Ninguém
jamais aprisionaria qualquer uma delas novamente. A cada subida fazia esse voto
simples. Estava ficando mais forte a cada noite que passava. Poder corria
através de seu corpo e, com isso, a confiança. Estava decidida que ficaria por
conta própria e não estaria subordinada a ninguém.
Tatijana
não sabia como dizer a sua irmã que não queria viver sob as regras dos outros.
Elas eram Cárpatos. Dragonseeker. Isso significava algo para o Príncipe dos
Cárpatos e para todos os outros. Os machos fariam fila na esperança de
reivindicar Bronnie, ou ela. Ela não poderia viver sob o domínio de outros.
Simplesmente não podia fazer. Não queria ninguém lhe dizendo o que fazer nunca
mais, mesmo que fosse para seu próprio bem. Levantaria quando quisesse e
exploraria seu novo mundo em seus próprios termos.
Tatijana
decidiu que encontraria seu próprio caminho, aprenderia o seu próprio caminho,
cometeria seus próprios erros. Bronnie sempre foi a voz da razão. Ela a
protegia de sua natureza impulsiva, mas não mais. Tanto quanto ela amava
Branislava, isso era algo que necessitava.
Enviou a
sua irmã amor e calidez, e a promessa que voltaria de madrugada. A Metamorfose
para surgir na forma de um dragão azul foi fácil – esteve nesta forma durante
séculos, sentia a estrutura e forma mais familiar do que o seu próprio corpo.
Se
enterrando mais fundo, indo para a terra, em vez de subir, onde seus guardiões
iriam vê-la. Ela já tinha cavado um túnel, e se moveu rapidamente através do
solo compactado. Tinha escolhido sair a vários quilômetros de distância de seu
lugar de descanso, a fim de garantir a segurança de Branislava e ter a certeza
de que os guardiões não teriam nenhuma ideia que ela tinha se levantado cedo. O
dragão azul atravessou o túnel como uma toupeira, cavando quando necessário,
removendo toda a sujeira que havia desmoronado enquanto se apressou firmemente
em direção a sua meta.
Tatijana
emergiu nas profundezas da floresta. Foi muito cuidadosa ao verificar a terra
sobre ela antes do dragão azul enfiar a cabeça em forma de cunha na saída
escondida. Emergiu no meio de uma névoa cinza espessa. Árvores apareceram como
espantalhos disformes gigantes com os braços estendidos, balançando um pouco,
apenas o suficiente para lhes dar a aparência de monstros.
Conhecia
verdadeiros monstros e a densa floresta de árvores cobertas por um manto cinza
não a alarmava no mínimo. A liberdade era incrível. Seus olhos estavam
terrivelmente sensíveis, mas, além disso, se sentia como se o mundo fosse dela
e com o nevoeiro cobrindo o chão, os olhos nem sequer queimava.
Trocou a
sua forma física, vestindo roupas modernas, um par de calças de algodão macio
que permitia a ela liberdade de movimento. Escolheu uma blusa que tinha visto
numa mulher na aldeia algumas noites antes. Seguiu a mulher, estudando seu
estilo de roupa para que pudesse reproduzi-la à vontade. Tudo parecia estranho,
mas isso fazia parte da emoção da descoberta. Ela queria aprendizado tátil, não
apenas puxar informações da mente de outra pessoa.
Caminhou
através da floresta, apreciando a forma como o nevoeiro envolvia sua pernas, a
fazendo sentir como se estivesse andando através das nuvens. Se lembrou, no último
momento de adicionar sapatos, algo que ainda era muito desconfortável para ela.
Parecia como se os sapatos a sobrecarregassem e se sentiam muito estranhos em
seu corpo.
O vento
soprava por entre as árvores, levantando folhas e girando em torno de troncos
em meio ao nevoeiro. A névoa começou a se levantar do chão enquanto caminhava
em direção a única luz na margem da floresta que podia ver. Música fluía do
prédio, cantando para ela, acenando, mas desta vez sabia que não estava indo
apenas para ouvir aquelas belas notas. Normalmente escolhia um local diferente
a cada noite para recolher mais informações e compartilhar com sua irmã.
Este
lugar chamava por ela a cada elevações agora. O sentimento era tão forte que
era quase uma compulsão. Resistiu por alguns dias, mas não podia se deter mais
uma noite. Se aproximou do edifício. As janelas estavam acesas com o mesmo
brilho amarelo, dois olhos olhando para ela através da névoa espessa. Um
arrepio lhe percorreu a espinha, mas continuou andando em direção ao lugar.
A Taverna
Wild Boar se localizava a beira da floresta, cercada em três lados por moitas
densas, árvores e bastante cobertura para quem precisasse se esconder
rapidamente. Fornecendo abrigo e camuflagem, bem como saídas fáceis para quem
se aventurasse a infringir a lei, os frequentadores encontravam conforto junto
ao fogo, comida quente e muita bebida. O povo era grosseiro, não era um lugar
para os tímidos, e mesmo os agentes da lei geralmente evitavam o lugar. Ninguém
fazia perguntas e todos tinham o cuidado de não notificar nada oficialmente.
Fenris
Dalka vinha à taberna quase todas as noites, então por que se sentia um tolo
sentado no bar, tomando de uma cerveja lentamente, fingindo beber como sempre
fazia? Deixou escapar o fôlego e manteve seu olhar para frente, usando o
espelho para manter um olho na porta. Do seu ponto de vista, podia ver cada
canto da taverna, bem como a porta. Tinha, há algum tempo, o lugar perfeito
para se sentar e monitorar o local, e agora se ele chegasse e alguém estivesse
sentado lá, ele ficava em cima dele, encarando, até que se levantasse e o seu
lugar ficasse vago.
Sabia que
intimidava e usava suas feições duras a seu favor, parecia perigoso. Era
bastante alto, mas os ombros largos e peito musculoso, braços forte, a barba
por fazer, e o piercing sobre os olhos azul glacial, que ele usava para olhar
através de alguém direto em sua alma, geralmente intimidava as pessoas.
Raramente tinha que falar e preferia que fosse assim. Os frequentadores o
conheciam e sabiam que era melhor o deixar sozinho.
A música
tocava ao fundo e risos ocasionalmente soavam, mas na maior parte os clientes
falavam em sussurros. Apenas o barman alguma vez falava com ele quando entrava.
Alguns dos frequentadores levantavam uma mão, ou acenavam com a cabeça, mas a
maioria evitava seus olhos. Ele parecia quase tão perigoso quanto ele era. Um
homem sem amigos, confiava apenas em seu irmão e sempre era a caça ou o
caçador. Era ainda mais impiedoso e brutal do que diziam os sussurros.
Seu
cabelo era longo, muito grossos e com nítidos fios prateado entremeados nos
negros, caindo em ondas nas costas. Na maioria das vezes, prendia em sua nuca
com um cordão de couro para os manter fora de seus olhos. Tinha as mãos
grandes, e os dedos marcados. Havia cicatrizes em seu rosto, uma perto do olho
e outra que ia do olho até metade do rosto. Haviam bem mais cicatrizes em seu
corpo. Séculos se defendendo, cada batalha e cada vitória estavam estampada em
seus ossos.
Conversas
sussurradas eram fáceis de serem ouvidas com sua audição bastante aguçada, o
que lhe permitia recolher uma quantidade enorme de informações. Mas hoje era
diferente. Não estava aqui por informação... ele foi atraído... compelido por
algo completamente diferente desta vez.
Desconfortável,
brincava com sua caneca de cerveja, movendo os dedos sobre a alça, apertando
com a mão e se forçando a soltar antes que quebrasse o vidro. Não era um homem
que recebia ordens de outro. Não confiava em qualquer coisa que não conseguisse
entender – e não entendia a necessidade urgente que o manteve vindo noite após
noite, esperando.
Esta era
uma taberna para os transgressores. Para reuniões clandestinas. Ele e seu irmão
descobriram a taberna quando ele chegou pela primeira vez nas montanhas dos
Cárpatos. Foi necessário encontrar um local seguro, fora do caminho, onde eles
podiam passar o tempo e falar sem serem visto por qualquer pessoa que pudesse
conhecer qualquer um deles. Queria ter certeza absoluta de que seu irmão mais
novo estava a salvo. Ninguém podia saber que eram irmãos. Ninguém jamais
poderia associar os dois, ou estaria colocando a vida de seu irmão em risco –
algo que não estava disposto a fazer. Tantos anos se passaram, que todos o
esqueceram – ou pensaram que ele estivesse morto – e para a proteção de seu irmão
essa mentira teria que permanecer.
Conhecia
todos os rostos na taberna. A maioria vinha à mais tempo do que ele. O mais
novo cliente era o mais suspeito. Ele chegou na área apenas há duas semanas.
Ele tinha uma estrutura corporal de um caçador – um lenhador – contudo se
vestia mais refinado. Não era alguém para tomar de ânimo leve. Qualquer um
podia ver pela forma como ele se movia que seria bom em uma luta.
Definitivamente estava armado. Atendia pelo nome de Zev e claramente era novo
para a área. Não divulgou o seu negócio, mas apostaria o seu último dólar que
estava caçando alguém. Não se parecia com agente da lei, mas definitivamente
estava perseguindo alguém. Esperava que não fosse ele, mas se fosse,
aproveitaria todas as oportunidades para o estudar, a forma como se movia, que
mão lhe favorecia, onde as armas estavam.
Zev usava
o cabelo mais longo do que o habitual, assim como ele. O cabelo era de uma cor
castanha profunda e muito grosso, muito parecido com um pelo abundante. Os
olhos eram cinzentos e atentos, sempre em movimento, sempre inquietos, enquanto
seu corpo permanecia imóvel. Achou digno de nota que ninguém no bar ainda o
tinha desafiado.
O vento
aumentou, correndo por entre as árvores caprichoso e divertido, levando galhos
contra os lados da taverna de modo que eles rangiam e raspavam, uma proclamação
de perigo se pudesse ler as informações que ele fornecia. Soltou a respiração e
olhou através da janela para a floresta escura.
A névoa
serpenteava por entre as árvores, se estendendo como dedos gananciosos,
serpenteando entre as árvores, cercando a floresta em um espesso véu cinza.
Precisava ir – agora – tinha apenas cinco dias antes da lua cheia – isso lhe
deixava dois dias para encontrar um lugar seguro para enfrentar a ameaça para
ele. Os três dias antes da lua cheia, a lua cheia e os três dias depois eram os
mais perigosos para ele. No entanto, não se mexeu do banquinho de bar, nem
mesmo quando a autopreservação gritou para ele. Cada fio de cabelo em seu corpo
levantou em alerta e se estendia como antena para pegar o menor dos detalhes.
Ele
espalhava gotículas frias de suor no vidro, seu olhar foi atraído para o
espelho mais uma vez. Não tinha toda a gama de cores espectrais, exceto na luz
mais fraca, no mais ele podia ver tons de cinza. Não poderia dizer a diferença
entre o amarelo, verde ou laranja, tudo parecia o mesmo para ele, uma cor
amarelada maçante. O vermelho parecia marrom, cinza ou preto, mas podia
detectar o azul. O que lhe faltava em suas habilidades de distinguir as cores,
ele as compensava com a sua aguda audição, olfato e sua visão de longo alcance.
Um
perfume chegou até ele quando ela abriu a porta. Uma mulher. A mulher. Ela era a isca para pegá-lo?
Se assim fosse, ele estava fisgado. Esse cheiro dela – terra fresca, floresta,
mel silvestre, de misteriosos lugares secretos e a própria noite, o chamava
como nenhum outro perfume caro jamais poderia. Ela tinha estado dentro e fora
da taberna durante a última semana. Três visitas, e ainda assim ele já estava
sob seu feitiço.
Ela o capturou
sem esforço, sem fazer nada, apenas por caminhar através da porta. Nunca tinha
visto uma mulher tão bonita ou atraente. Ela literalmente parou toda a conversa
no momento em que entrou, mas não pareceu notar. E esse era o problema. Era
muito jovem e ingênua, muito inocente para vir desacompanhada num lugar como
este.
Ouviu os
sussurros de alguns dos homens e sabia que ela não estava segura. As duas
garçonetes olharam para ela, conscientes do momento em que ela entrou, elas não
tinham mais a atenção dos homens. Mais uma vez, a mulher parecia completamente
inconsciente. Caminhava com confiança, mas parecia não prestar atenção aos
predadores em torno dela – e eles eram predadores. A única razão pela qual ela
não foi atacada até agora foi porque ele deixou bem claro que ela estava sob
sua proteção. Quando um dos homens começou a fazer uma jogada em cima dela, ele
se levantou. Isso foi tudo. Ele apenas se levantou.
O homem
parou imediatamente e ninguém se atreveu a fazer outro movimento, mas era
apenas uma questão de tempo. Pelo que ouviu, os três conspiradores planejavam
segui-la quando ela saísse da taberna e Fen não estaria por perto para
protegê-la. Bem, isso era desleal. Um amigo dos dois conspiradores conversava
tentando dar bom senso a eles. Ele poderia ter dito a eles para não colocar
dinheiro nesse plano e que ouvir seu amigo era a melhor ideia, mas ele não se
incomodou. Girou os ombros lentamente, abriu e fechou os punhos, esticando os
dedos e olhando para as mãos que poderiam ser armas mortais. Ele precisava se
exercitar.
Ele a
olhou no espelho. Tinha a visto experimentar uma bebida cada vez que vinha, ela
obviamente vira alguém beber, e cada vez que bebia fazia uma cara horrível e
cuspia a bebida de volta para o copo, balançava a cabeça e se afastava do bar
para a pequena área onde ela podia dançar. Mais uma vez ela parecia
completamente alheia àqueles ao seu redor, se perdendo na música. Ele estava
certo de que vinha para a taberna só porque amava a música.
Ela nunca
falou, nem mesmo com o barman, e ele se perguntava se ela não podia falar. Sua
pele era de porcelana branca, como se nunca visse o sol. Seu cabelo era lindo,
caindo muito além de sua cintura, longo o bastante para que provavelmente
pudesse sentar sobre ele, como se nunca o cortou em sua vida. Ela o usava numa
trançada que era tão grossa como seu pulso. Os fios sedosos eram de uma cor que
não conseguia definir, mas quando a luz batia direto sobre eles a cor parecia
mudar, embora pudesse ser apenas o modo que ele percebia a cor.
Seus
olhos se encontraram com os dela. Ele não conseguia parar de olhar para eles e
enquanto ela dançava, ela de repente os abriu, e ele os encontraram no espelho.
Seu coração quase parou e depois começou a bater. As mulheres não tinham esse
tipo de efeito sobre ele. Sua boca não fica seca. Sua mandíbula não doía e seus
caninos não cresciam afiados. Ele estava sempre – sempre – no controle. E ainda... Ele ouviu um trovão rugindo em
seus ouvidos, e respirou fundo, chamando séculos de disciplina.
Emoções
entorpeciam e desapareciam no tempo. O pouco que sentia, sentia em sua outra
forma, não nesta. Às vezes, ele se esquecia de como era estar em sua forma
atual. No entanto, agora, olhando nos olhos dela, descobriu que não conseguia
desviar o olhar. Ela o hipnotizava. Cativava. Não confiava nela. Não confiava
em sua reação estranha, muito estranha para com ela.
Uma
rajada de vento atingiu a taberna duramente, explodindo pela chaminé e elevando
faíscas na lareira. Uma tora caiu da grade de ferro e rolou para a abertura,
parando abruptamente, mas as chamas saltaram e dançaram, enquanto rachaduras
dentro da tora brilhava intensamente. Ele balançou a cabeça em direção à
janela. A névoa espessa girava para fora da floresta, fios de cinza, se
envolviam em torno da taverna, abrangendo todo o edifício numa teia de aranha
gigante de névoa brilhante.
A mulher
parou de dançar, chamando a atenção para ela. Ela olhou fixamente para o fogo,
como se estivesse fascinada por ele, como ele estava com ela. Ela se aproximou
e ele se encontrou franzindo a testa a observando de perto no espelho. Seus
olhos refletiam as chamas pulando, quase como se o cristalino fossem
multifacetado, lembrando o corte de um diamante. Ela chegou mais perto, muito
perto. A lareira estava aberta. Montanhas de cinzas brilhavam, chamas saltaram
avidamente. Ele escorregou do banquinho do bar.
Ela
lentamente estendeu a mão na direção da chama. O movimento levaria a palma da
mão direito para o centro do fogo. Ele moveu usando a velocidade desfocada,
chegando por trás dela, procurando e pegando seu pulso, puxando a mão de volta
para longe das chamas antes que pudessem provocar bolhas em sua pele macia.
Por um
momento, ela endureceu como se pudesse lutar com ele. Ele sentiu um roçar, o
mais leve dos toques em sua mente, que o chocou. Quem era ela? O que era ela?
Ele segurou suas barreiras sem esforço, e manteve seu toque suave, tomando
cuidado para não transmitir uma ameaça de qualquer tipo. Ela relaxou e ele
inalou o cheiro dela, com a cabeça perto do ombro, de modo que a grossa trança
de cabelo sedoso roçava sua pele e seu perfume feminino o envolveu. Ele o puxou
profundamente em seus pulmões. Ela cheirava a pecado. Como sexo. Como o paraíso
e tudo o que ele não tinha – e jamais – teria.
— Está
quente. O fogo vai queimar você — ele disse em voz baixa, se certificando que
ninguém mais na taberna ouviria.
Ela era
inteligente, ele podia ver isso, mas algo aconteceu com ela e claramente, havia
coisas que nunca experimentou e não tinha conhecimento. Amnésia? Trauma? Não
havia outra explicação. Todo mundo sabia sobre o fogo e sua falta de
conhecimento apenas a fez muito mais vulnerável.
Ela virou
a cabeça lentamente para o olhar por cima do ombro, franzindo ligeiramente a
testa, uma expressão perplexa no rosto. Assim tão perto, ela apareceu etérea,
misteriosa, sua pele suave como a seda, palpável. Ele nunca esteve tão atraído
por outro ser em sua vida.
— Sua
pele vai queimar — explicou pacientemente. — Seria extremamente doloroso para
você.
Ela
continuou a olhar para ele confusa. Ele tentou repetir o aviso em vários
idiomas. Ela apenas olhou para ele e eles estavam chamando atenção demais. Toda
vez que ela se movia, tinha os olhos de todos na taverna e não queria que
ninguém pensasse que ela fosse uma presa fácil por sua falta de conhecimento
das necessidades mais básica, tais como fogo. No final, não havia mais nada a
fazer. Ele pressionou o braço dela para baixo a seu lado, a contornou e
estendeu a mão com a palma para baixo para as chamas.
Ela
observou, com os olhos arregalados quando sua pele empolou e o cheiro de carne
queimada subiu. Ela pegou o braço e puxou a mão da lareira.
— Você
entendeu? — Ele perguntou, mostrando a ela o dano.
Ela virou
a mão dele, a palma da mão dela cobrindo a queimadura, não muito ternamente,
mas ele ainda sentiu a energia vibrando através de sua pele. O frescor calmante
deslizou sobre as bolhas. Ela levou a palma da mão em direção a sua boca. Ele
prendeu a respiração em seus pulmões, o ar retido lá. Não conseguia se mover ou
mesmo falar quando ela inclinou a cabeça em direção a palma da mão. Sua língua
tocou as bolhas, levemente, quase indetectável, um roçar lento que realmente
fez sua mão tremer e os seus joelhos um pouco fracos. Pior ainda, seu corpo
reagiu com uma onda quente de sangue, correndo e agrupando numa demanda
perversa.
Ela
soltou sua mão lentamente, quase com relutância. Ele levantou a mão para a
inspecionar, ainda sentindo o frio calmante, como se tivesse espalhado um gel
de cura sobre a pele empolada. As bolhas haviam desaparecido. Sua palma já não
estava queimada, nem mesmo vermelha.
Ele
prendeu a respiração bruscamente. Sabia o que ela era. Nenhuma outra espécie
poderia curar apenas com a sua saliva com tanta facilidade. Ela tinha que ser
Cárpatos – uma raça de seres que chamavam as montanhas dos Cárpatos de sua
casa. Poucos sabiam de sua existência. Franziu a testa, tentando envolver seu
cérebro em torno da ideia. Na verdade, não fazia sentido. Duvidava que uma
mulher dos Cárpatos tivesse chegado a um botequim sozinha, especialmente um
lugar violento como o Wild Boar. Ela não só não teria conhecimento de fogo, mas
ela seria bem-treinada em todas as coisas. Nenhum Cárpatos vivia tanto tempo
sem adquirir uma grande quantidade de conhecimento ao longo do caminho. O que
aconteceu com ela? E por que estava sem escolta?
Sentiu o
peso de um olhar e olhou para cima para encontrar o olhar de Zev. Zev estava
olhando para a mulher. Instintivamente, Fen mudou seu corpo ligeiramente,
bloqueando a visão de Zev dela. Seu olhar saltou para o rosto e, em seguida,
ela espiou ao redor de seu corpo largo para olhar para Zev e depois recuou para
trás dele.
— Você
não está segura aqui, — Fen disse, relutante em admitir isso. — Estas pessoas
são violentas.
Ela
sorriu para ele. Sorriu. Seu coração parou. Seu estômago se apertou e sangue
subiu quente em suas veias. Seus dentes eram muito brancos, lábios cheio,
vermelho, coisa para fantasias. Respirou fundo, sabendo que era um erro, mas a
levando em seus pulmões de qualquer maneira. Tomou-a profundamente e deixou lá,
girando ao redor, se torcendo em suas entranhas até que ele soubesse que
poderia – iria – a encontrar novamente.
Ele
inclinou o queixo para que ela olhasse para sua boca.
— Zev em particular, é
perigoso. Ele murmurou as palavras, em vez de emitir som, temendo que Zev
tivesse a mesma audição extraordinária que ele. — Os outros também, mas não
como ele. Você entendeu?
Tatijana
assentiu. Claro que ela entendia, embora ela estivesse mais preocupada com o
efeito do toque dele do que com a advertência que ele lhe deu. Ela estava
definitivamente atraída por este homem – Fen era seu nome. Ele parecia humano
quando ela roçou sua mente com um contato leve – assim como todos os outros na
taberna – e ainda Fen a intrigava. Ele havia se movido com uma velocidade
estonteante. Velocidade sobrenatural. Como ele poderia ser humano e ainda se
mover com a velocidade de um Cárpatos. Mais – ela não sentira qualquer energia
o precedendo, e ela deveria ter sentido.
Ele era
muito mais musculoso do que a maioria dos homens Cárpatos, também era alto.
Seus olhos eram diferentes e ela passou uma enorme quantidade de tempo
secretamente estudando seus olhos enquanto ele se sentava no bar, brincando com
sua bebida. Não estava realmente bebendo, mas no decorrer do tempo o líquido
desaparecia. Não descobriu ainda como ele estava realizando essa façanha em
particular, mas sabia que queria aprender.
Por que
ele tinha escolhido Zev em particular como perigoso? Ele parecia como qualquer
outro ser humano na taberna.
— Por que Zev? — Ela era perita em ler lábios. Tinha
aprendido há muito tempo quando criança, presa no gelo, vendo a crueldade de
seu pai como ele sacrificava animais e seres humanos igualmente. Ninguém estava
a salvo. Magos, Cárpatos, Jaguar, Lycan – nenhuma espécie ficou ilesa. Mesmo os
mortos não estavam a salvo de Xavier.
Balbuciou
a questão de Fen, se certificando que nenhum som escapasse acidentalmente,
apenas no caso de que ele fosse Cárpatos. Estava tão inexplicavelmente atraída
por Fen, e ele era definitivamente um ponto de interrogação em sua mente, assim
ela não ia arriscar. Não estava pronta para qualquer macho a reclamar.
Precisava de um tempo sozinha, tinha se informado de tudo sobre companheiros e
como um macho poderia assumir sua vida, mesmo sem o seu consentimento. Isso não podia acontecer – não com ela. Não
agora. Estava, na verdade, pela primeira vez em sua existência desfrutando de
sua vida. O caminho da descoberta era emocionante. Se sentia tão viva e não
queria que nada nem ninguém tirasse isso dela.
Na
verdade, não estava completamente certa de que ela poderia ter um
relacionamento com alguém – pelo menos um saudável. Isso exigiria confiança, e
simplesmente não tinha isso. Só confiava em Branislava, sua única aliada. Elas
estiveram juntas sempre, era difícil pensar em ficar longe, mas Tatijana sabia
que precisava desesperadamente desse tempo sozinha. Como é que descobririam
quem elas eram e o que elas gostavam, se não nunca tivessem tempo para
descobrir?
— Eu apenas sei — Fen murmurou de volta. Ele estendeu a mão e colocou uma mecha
de cabelo atrás da orelha dela.
A
respiração dela ficou presa na garganta. O toque dele fez algo estranho com
todo o seu corpo e foi alarmante. Ela deu um passo para trás, incapaz de
desviar seus olhos dos dele.
O som de
um lobo uivando lá fora, a distância fez os dois virarem a cabeça em direção à
janela ao mesmo tempo. Com o canto do olho, ela viu que Zev também virava na
direção do som e Fen definitivamente percebeu seu movimento também. Ela não
conseguiu ver que mais alguém tivesse ouvido esse som arrepiante.
Isso não
era um lobo uivando para a lua, era o som de um lobo chamando os outros para
caçar. Pelo menos três outros responderam, ainda mais distante, mas não soava
como a alcateia de lobos local. Eles soaram agressivos e ansiosos, como se já
tivessem a presa à vista. Mais do que isso – aos seus ouvidos – a chamada soou
um pouco distante, como se os lobos estivessem longe.
Seu olhar
saltou para o rosto de Fen. Ele ficou muito quieto. Completamente imóvel. Sua
expressão não mudou em tudo, mas sentiu a diferença nele. Parecia relaxado, mas
o sentiu tenso e pronto.
— Tenho que ir — ela murmurou para ele e retrocedeu outro passo.
Sua
atenção voltou imediatamente para ela. Ele franziu a testa e olhou para fora da
janela novamente.
—
Eu vou levá-la. —
Ele disse isso em voz alta neste momento.
Cabeças
se viraram na taberna em direção a eles. Dois dos homens fizeram uma careta,
aqueles, ele notou, que tinham sussurrado juntos que iriam segui-la. Claramente
seu amigo não tinha os convencido, embora ele ainda parecia estar discutindo.
Tatijana
tinha esperado que isso acontecesse mais cedo ou mais tarde, mas tudo o que
tinha a fazer era se dissolver em névoa e ir embora. Os homens nunca saberiam o
que aconteceu com ela. Tinha toda a confiança de que não importa o quê, estaria
segura.
Tatijana
sabia que Fen havia anunciado sua intenção de caminhar com ela, porque estava
tentando garantir que ela estivesse a salvo dos homens na taberna – e talvez o
que quer que estivesse fora lá também. Sua primeira intuição de autopreservação
exigia que ela recusasse sua oferta. Mas havia essa compulsão a empurrando,
querendo apenas estar em sua companhia, sem motivo aparente.
Tomou uma
oportunidade e escaneou sua mente uma segunda vez. Ele parecia um homem
extraordinário... Talvez fosse a contradição intrigante que ele representava,
ou talvez fosse a maneira como a atraia como um ímã, mas deu um leve aceno com
a cabeça para o deixar saber que andaria um pouco com ele. Em qualquer caso,
sabia que poderia protegê-lo se houvesse problemas.
Zev se
afastou do bar, abotoou o casaco e saiu sem ao menos olhar em sua direção. Como
se as palavras de Fen fossem um sinal, os três homens amontoados que
sussurraram suas conspirações, se levantaram, puxaram seus casacos e chapéus,
para sair da taverna também. Um dos homens olhou um pouco nervoso para Fen
enquanto os outros dois olhavam lascivamente para Tatijana.
Seu
coração se afundou. Claramente ela estava colocando Fen em perigo, ao concordar
em caminhar com ele. Abriu a boca para dizer que iria sozinha, mas ele pegou a
sua mão e a puxou para a porta. No momento em que o calor de sua mão se fechou
em torno dela, seu coração acelerou e um milhão de asas de borboletas revoaram
em seu estômago. Suas mãos eram muito maiores do que as dela e ele
completamente envolveu a sua mão menor, a fazendo se sentir feminina e muito
mulher – um novo conceito para ela.
Não
queria que essa sensação incrível fosse embora. Em qualquer caso, estava certa
de que pudesse proteger Fen sem que ele soubesse quem ela era. Se necessário,
iria remover todas as memórias ruins. Ela também precisava se alimentar. Não
era tão difícil se convencer de que tinha muito boas razões para permitir que
Fen a acompanhasse através da floresta.
— Onde está o seu casaco? — Perguntou Fen.
Casaco.
Todos estavam usando um casaco. Cárpatos regulam suas temperaturas. Ela não
sentia muito calor ou frio, foi por isso que não sentiu as chamas, mas eles
deixavam seu modo de vida para se encaixarem com o dos seres humanos. Essa era
uma das maiores regras que regiam a sociedade. Ninguém poderia saber de sua
existência. Antes que ela e Bronnie fossem colocadas na terra para se curarem,
a doutrina havia sido inserida dentro dela. Esqueceu um casaco.
Olhou em
direção aos cabides irregulares na porta onde muitos dos clientes penduravam os
casacos e chapéus. Ao mesmo tempo um casaco longo e com capuz apareceu lá. Deu
uma olhada rápida no espelho, grata que ninguém pareceu notar. Indicou o casaco
com um pequeno empurrão de seu queixo. Se Fen ficou assustado, não deu nenhuma
indicação. Simplesmente tirou o casaco comprido do cabide e o ergueu.
Hesitou,
não tinha certeza o que deveria fazer. Fen se aproximou e passou seu braço numa
das mangas, envolvendo o casaco em torno dela. Ele esperou pacientemente que ela
colocasse o outro braço na outra manga. Ele girou e abotoou o casaco para ela.
O tempo todo, enquanto ele colocava cada botão na presilha, ela prendeu a
respiração e olhou para o rosto dele.
Ele era
bonito. Marcado com cicatrizes, áspero, totalmente masculino, mas bonito mesmo
assim. Memorizou a sua estrutura óssea, a forma do nariz, o corte de sua boca e
a sua forte mandíbula. Queria se lembrar dele por toda a sua vida – lembrar
este momento. Ela poderia nunca ter outro momento ou sensação semelhante novamente,
e este era um que precisava saborear.
Fen a
contornou e abriu a porta. Uma rajada de ar frio entrou. Ela ergueu o queixo
inalando a noite, permitindo que o vento trouxesse informações. Fen respirou
fundo e saiu à sua frente, mantendo a posse de sua mão. Seu corpo parcialmente
bloqueava o dela dos elementos, enquanto ele dava uma olhada cuidadosa ao
redor.
A névoa
cinzenta agitava e girava, bloqueando a visão da floresta a partir da taberna.
O pior de tudo eram que as árvores se elevavam assustadoramente no céu, ainda
que obscurecidos e um pouco disforme, os topos pareciam como se flutuassem sem
troncos.
— Qual o caminho? — perguntou Fen.
Tatijana
indicou para a esquerda, para a floresta. Os lobos estavam quietos e esperava
que eles ainda estivessem a uma grande distância. Fen puxou um pouco sua mão
para a trazer para perto dele, e eles partiram. Ela sentiu o cheiro de Zev, um
forte, antigo cheiro de floresta, que se agarrava a Fen também. Gostava muito.
O cheiro era tudo sobre correr livre, algo que queria mais do que qualquer
coisa.
Havia na
noite nessa fragrância sedutora – uma noite escura e fria com um céu
azul-noite, com estrelas no céu e uma lua cheia em volta também. Esse aroma
esquivo evocava tudo o que tinha chegado a amar no curto espaço de tempo em que
foi libertada de sua prisão. Mais, queria ficar perto de Fen e apenas
inspirá-lo em seus pulmões, o levar profundamente para que nunca o esquecesse.
— Me diga seu nome. Sou Fen. Fenris Dalka. — Ele não quebrou o passo,
caminhando com confiança absoluta na floresta. Parecia um homem sem muito medo.
Ela olhou
para ele. O estudando cuidadosamente e fez mais uma varredura, apenas para ter
certeza de que estava segura. Abriu a boca para lhe dizer, mas simplesmente não
conseguia. Algo a deteve. Havia uma compulsão muito forte para estar com ele.
Talvez fosse tudo novo para ela, essa atração entre um homem e uma mulher,
apenas nunca aconteceu isso antes. Não ficou atraída por ninguém na taberna,
nem mesmo uma única faísca. Balançou a cabeça e sorriu para ele.
Ele
devolveu o sorriso.
—
Você sabe que o mistério é muito intrigante numa mulher, certo? Vou ficar mais
apaixonado do que nunca. Sou capaz de ler lábios — acrescentou.
Queria
que ele soubesse o nome dela. Declamou ‘Tatijana’, exagerando cada sílaba, então
seria mais fácil. Ele compreendeu na primeira tentativa.
— Tatijana é um nome bonito. Você mora perto?
Ela
encolheu os ombros, feliz por apenas estar andando com ele. O corpo dele
exalava um calor inesperado e se permitiu sentir. Precisava sentir cada momento
com ele. Sabia que devia soltar a mão da dele. Não o conhecia. Não conhecia a
etiqueta apropriada entre um homem e uma mulher, mas justo neste momento, pela
primeira vez em sua vida, se sentia normal. Real. Ela não era Cárpatos. Não era
Dragonseeker. Não era a filha de um mago. Era uma mulher que apreciava a
companhia de um homem.
— Eu morei aqui há muito tempo, — Fen comentou. — Só voltei para uma curta visita e devo ir novamente. — Ele olhou em volta para
as formas escuras das árvores elevadas na névoa. —Tinha esquecido como é bonito.
Tatijana
concordou com ele em silêncio. Queria dançar ali nas profundezas da floresta só
porque estava tão feliz. Apenas algo tão simples como caminhar na floresta à
noite a inundava de alegria e Fen era um bônus adicional. Ela assentiu com a
cabeça, se sentindo um pouco tola porque não falava em voz alta, mas talvez ele
pensasse que ela não poderia. Nem sequer se importo se isso significasse que
tivesse pena dela, embora quando examinou os seus pensamentos, não encontrou
piedade. Ela encontrou... atração.
— Você vive aqui há muito tempo? — ele perguntou.
Ela olhou
para seu rosto. Ele não estava olhando para ela, apesar de que seu tom de voz a
fez sentir como se ela fosse a pessoa mais importante do mundo, e ele quisesse
uma resposta. Seu olhar era inquieto, se movendo constantemente, até os galhos
das árvores, descendo ao longo do chão, sua visão tentando perfurar o véu
pesado da névoa.
Teria ela
perdido alguma coisa? Algum aviso? Deu um olhar cuidadoso ao redor, enviando os
seus sentidos, escaneando com cuidado, tentando detectar uma ameaça. Apenas lá
na frente e um pouco a esquerda, escondidos entre as árvores estavam os três
homens que haviam deixado o bar depois de Zev. Ela suspirou. Claro. Sabia que
eles iriam tentar atacá-la. Ela se permitiu ser arrastada para um mundo mágico,
que não continha ameaças. Tudo e todos que poderiam ameaçá-la parecia triviais
em comparação com Xavier.
Tocou o
braço de Fen.
— Eu tenho
que ir, — ela murmurou. — Você pode voltar agora.
Ela não
iria envolvê-lo. Não estava certa de que ele fosse humano, mas se ele fosse,
três contra um, mesmo quando ele parecia grande e letal, não era justo. Ela
poderia se dissolver em névoa e eles nunca a encontrariam, mas Fen tinha de ser
protegido, mesmo que fosse de sua própria bravura
Fen parou
abruptamente.
— Você
sabe que eles estão lá, não é?
Tatijana
concordou com relutância. Ela estava se expondo muito, mas então ele também. Os
três homens estavam distantes, impossíveis ver com a névoa pesada e a cobertura
das árvores densas e arbustos.
— Vou cuidar deles. Você saia daqui.
Ela balançou a cabeça. Tinha medo do que aconteceria com o macho protetor. Ela enviou um
pequeno “empurrão” para ele ir.
Ele fez uma careta para ela, balançando a cabeça. Tatijana sabia que tinha
cometido um erro terrível. Fen
era muito mais do que parecia e o empurrão que enviou a ele apenas deu
demasiada informação sobre ela.
O que ele era?
Mago? Não pensa
assim. Foi mantida prisioneira
durante séculos pelo mago mais poderoso que o mundo já tinha
conhecido e Fen não
era fisicamente semelhante, e
seu cérebro do mesmo modo. Jaguar? Ela não achava que sim. Isso deixava Cárpatos
ou Lycan. Se
fosse Cárpatos teria conhecido
pelo seu campo de energia. Lycans
eram a única espécie que não produzia esse campo
de energia legível para os
outros.
Ela deu uma
chance.
— Sou bem
capaz de me defender. Você
precisa sair. Esses homens
estão atrás de mim, não de você.
Espero que tenham gostado da novidade e deste primeiro capitulo tão emocionante. Eu li o livro em inglês e adorei mas estou super ansiosa pelo livro do Dimitri. Quando tiver o do próximo livro posto aqui no blog para vocês.



Ainda não conhecia esse livro, achei a capa linda, mas infelizmente, a sinopse não me chamou atenção e nem despertou o meu interesse. Mas para quem gosta desse gênero, eu tenho certeza que é uma boa pedida. Posso afirmar isso devido a escrita da escritora que desde o começo se mostrou envolvente.
ResponderExcluir