11 setembro 2013

Apocalipse Zumbi: Os Primeiros Anos - Alexandre Callari.

Olá amigos, visitantes e seguidores! O livro da vez é Apocalipse Zumbi - Os Primeiros Anos, do autor Alexandre Callari em parceria com a editora Generale/Évora.
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Título: Apocalipse Zumbi - Os Primeiros Anos.
Autor: Alexandre Callari.
Edição: 1ª.
ISBN: 9788563993199.
Editora: Generale / Évora
Ano de Lançamento: 2011.
Páginas: 336.
Sinopse: "O caos reina no mundo. A civilização entrou em colapso. As comunicações, a energia elétrica e a vida em sociedade, como a conhecemos, praticamente se extinguiram. Nem toda nossa tecnologia foi capaz de nos proteger e evitar que dois terços da humanidade morressem. Os poucos que sobreviveram estão exaustos e tentam reunir o que ainda resta das suas forças e recursos para se manterem vivos. E, para piorar, eles não estão a sós. Dia e noite, são perseguidos pelos contaminados - sempre à espreita com seus olhos vermelhos, pele pálida, dentes podres e uma terrível sede de sangue e de carne humana. Nesse cenário de terror e desesperança, Manes luta desesperadamente para manter sua comunidade unida. Ela subsiste em uma construção cercada por paredes de concreto chamada Quartel. Porém, quando alguns de seus membros estão em apuros do lado de fora, sendo cruelmente caçados pelos contaminados, Manes parte para resgatá-los. A sua ausência e a chegada do enigmático Dujas abalam severamente o tênue equilíbrio interno do Quartel, colocando em risco a vida de todos. O perigo e o medo tomarão conta deste, que é um dos poucos redutos em que homens e mulheres vivem em "segurança."

Resenha: Me foi proposta a leitura de um livro de zumbis e o melhor: nacional. Aceitei sem pensar duas vezes se tratando de um tema que tanto me diverte, ainda mais sendo uma obra brasileira. Pensa num menino que já viu incontáveis filmes de zumbis, esse cara sou eu.

O detentor da mente doentia que redigiu essa grande obra chama-se Alexandre Callari, e é um maluco que trabalha com o pessoal do Jovem Nerd (IG) e também com edição de quadrinhos da DC Comics. O livro foi publicado em 2011, dois anos atrás como o primeiro de uma trilogia e com o título Apocalipse Zumbi – Os Primeiros Anos. Chega em mãos com as contra capas, capas e páginas iniciais recheadas de elogios de pessoas ilustres da comunidade nerd nacional, além de uma citação a Despertar dos Mortos de Romero na década de 80 (meu filme de zumbi favorito desde os 5 anos de idade), então li com boas expectativas e o melhor é que não houve decepção.

Antes de entrar na história vale mencionar mais algumas coisas dos bastidores. Primeiro o trailer. Meu Deus, o trailer. Na época que o livro foi lançado o autor e uns apoiadores produziram de forma independente um trailer para usar como forma de divulgação do livro, mas o tiro saiu pela culatra. Pois o trailer ficou tanto trash quanto muito estranho. Nele o Callari encarna o protagonista da história e tem uma dúzia de negos enfrentando os zumbis sem camisa, a lá Jacob de Crepúsculo. Sinceramente, ficou podre. Consequentemente muita gente associou ao livro e nem quis vê-lo na frente, vi muita gente mesmo fazendo tais críticas no vídeo trailer no youtube. Confesso que me assustou um pouco o trailer, mas mesmo assim fui ler na esperança de ser realmente bom.

Além do trailer, vale mencionar a capa que achei muito bacana e tradicional com o zumbizão mostrando sua cara, e o título da obra é bem plausível (Apocalipse Zumbi). Por último algo que achei muito legal foi que dentro do livro veio um CD contendo músicas da trilha sonora que o próprio autor compôs e gravou com a ajuda de uma banda parceira. São músicas com letras inteligentes falando sobre acontecimentos do livro, personagens e afins, tudo ao som de um excelente instrumental e vocal pesado.

A história visivelmente se passa no Brasil, provavelmente em São Paulo, por mais que não seja citado explicitamente, e tem como personagem principal um sobrevivente chamado Manes. Os capítulos são relativamente curtos e são quase capítulos POV’s (Ponto de Vista), pois na maioria das vezes desenrola a história de acordo com a visão de um dos personagens. Em raros capítulos há ilustrações simples representando a parte em que você está da história. Os desenhos não são fantásticos, mas também não são feios, ficou legal e dá pra mensurar bem o que estamos lendo com o auxílio das ilustrações.

Retornando a história, Manes (referência ao Maniqueísmo, saiba mais clicando aqui) é líder de uma comunidade sobrevivente que vive numa espécie de quartel chamado Ctesifonte, criado a partir do plano de seu falecido pai em uma antiga empresa de segurança abandonada dias após o Dia Z. O chamado Dia Z foi quando bilhões de pessoas simplesmente caíram mortas repentinamente e outros bilhões caíram, porém se levantaram transformadas em terríveis monstros canibais que caçam os  bilhões que restaram vivos. De lá pra cá passaram-se cerca de 4 anos e como essa comunidade é composta pelos mais variados tipos de pessoas e como estão vivendo em conjunto a muito tempo, elas já mal conseguem lidar umas com as outras e tudo é motivo para desavença e desejo de esbofetear uns aos outros.

No entanto como Manes é muito respeitado, as pessoas não cometem nenhum ato de loucura quando ele está por perto, mas a história muda completamente quando um sobrevivente misterioso chamado Dujas (jogo de palavras com o nome Judas) surge no quartel ao mesmo tempo em que um grupo de batedores que estavam nas ruas em busca de suprimentos para o quartel sofre um ataque e apenas um ou dois sobrevivem.  Um dos sobreviventes, sem carro e correndo risco de vida comunica por rádio o quartel e Manes imediatamente se prontifica a ir pessoalmente com um esquadrão de elite formado pelos melhores de seus homens resgatar esse parceiro. Sua esposa tenta impedi-lo de ir dizendo que é perigoso e que tem maus pressentimentos, mas Manes vai mesmo assim, e em sua ausência e dos soldados que exerciam posição de liderança, o novato Dujas incita uma revolta, um motim criticando a decisão de Manes de arriscar a vida de vários para salvar um, e faz um inferno quase matando todo mundo e destruindo tudo o que eles tinham de segurança dentro do quartel. Dujas é completamente insano e manipulador.

Ao mesmo tempo Manes e sua equipe passam por situações bem tensas para tentar o resgate de apenas um homem dos seus que saíram em busca de comidas e outros suprimentos para a comunidade, este é Espartano. Com Manes temos Kogiro, um japonês que tem bastante perícia com facas e espadas (samurai?), um negro forte chamado Cufu, um gigante meio nórdico, um velho experiente, sua amante e uma especialista em primeiros socorros. A partir daqui já seria spoiler, leiam pra saber.

O bacana é que como são capítulos com visão de personagens diferentes, conta praticamente a história de todos eles, sobre como receberam o Dia Z e o que estavam fazendo e o que tiveram de passar para chegar em Ctesifonte, é bem legal e não deixa furos de jeito nenhum, pelo menos eu não vi. O livro apesar de ser um pouco grosso se desenrola de maneira muito rápida, pois tem capítulos curtos e é repleto de ação do começo ao fim. O Prólogo já começa com perseguição de zumbis para terem uma ideia, aliás, a perseguição que desencadeou na morte de vários soldados que saírem do Quartel em busca de suprimentos e ferimentos de Espartano, que foi por quem Manes e sua turma sai para resgatar no decorrer da história.

Agora vamos aos pontos que me desagradaram. O primeiro que vale a ser citado são os nomes pessoais incomuns. Se o livro é brasileiro, qual é o problema de colocar nomes típicos? Se nos livros norte-americanos se veem John, Michael e afins? Eu acharia o máximo se lesse um livro onde eu me deparasse com um Carlos, Francisco, Cláudio, até Joaquina. Temos que valorizar nosso país e seu conteúdo.

O segundo e último ponto é que ao meu ver deveriam ter mais referências ao país, e até mesmo a cidade. Se realmente for São Paulo a cidade onde ocorre a história, poderiam ser citados locais conhecidos e pontos de referência de lá, agregaria bastante realismo a narrativa.

Agora, por outro lado, gostaria de parabenizar o escritor por citar diversas referências literárias, cinematográficas, entre outras, o que me agradou bastante. Além disso gostaria de parabenizar também pela criatividade e inovação, pois os zumbis são diferentes do convencional, mas sem perder a essência. Sua velocidade, força, aspectos físicos (como os olhos vermelhos e pele pálida por exemplo) e a possibilidade de existirem semi-contaminados, parabéns, foi diferenciado e acrescentou e muito a história em determinados momentos.

Gostaria de parabenizar também pelo Dujas, o vilão, que foi bem imprevisível e muito bem construído. Toda a sua história desde a juventude, paranoias e problemas psicológicos muito bem explorados que juntos constituíram um grande vilão doentio. E por último gostaria de parabenizá-lo pelas críticas a natureza humana muito bem feitas. Além de The Walking Dead eu não consigo visualizar uma outra história, de todas que conheço de zumbi, que aborda de forma tão fantástica o que um evento desse porte faria com a mente das pessoas e de que forma agiriam e lidariam com seus medos, traumas e tudo mais. O que seriam capazes de fazer? É uma pergunta que sempre me faço quando vejo alguma história de zumbi. Por exemplo: matar um amigo o familiar, canibalizar, roubar, estuprar, entre outros. Na maioria das histórias de zumbi as pessoas lidam muito bem com um apocalipse zumbi, o que acaba deixando a história fantasiosa demais, mas histórias como esse nível de realismo deixa o universo zumbi muito mais atraente e ao mesmo tempo mais assustador, o que deveria ser o principal objetivo já que é terror.

Fiquei triste com os comentários de alguns leitores que vi pelo skoob, que tenho certeza que são estrangeiristas de plantão e não sabe avaliar uma boa obra nacional. E mais triste ainda com os comentários do pessoal no youtube no trailer que deixou de ler essa obra por causa do trailer que não ficou tão profissional. Desta forma um conterrâneo nosso que já não tem muita divulgação por estar começando acaba perdendo crédito também com a queimação de filme desse povo ignorante e babaca que desanima possíveis leitores. Portanto fica o conselho, não julguem o livro pela capa-, er digo, não julguem o livro pela nacionalidade ou publicidade. Leiam e depois tirem suas próprias conclusões.

Pretendo ler em breve a continuação da trilogia que acaba de ser lançada.
Um abraço à todos.

Citações: 

"Conflitos internos são o calcanhar de Aquiles de qualquer estrutura, e o que é melhor para causá-los do que uma mulher?"

"Não há um único ser humano no mundo que não tenha perdido alguma coisa. Mesmo se o Dia Z jamais tivesse ocorrido, desde o começo dos tempos, todos sempre perderam alguma coisa. A existência é efêmera, e a perda faz parte dela. O que importa não são os momentos que perdemos,mas, sim, os que ganhamos.""Certo senso de responsabilidade, misturado com dor, medo e principalmente culpa, começou a crescer gradativamente em seu estômago, subindo como um foguete, passando apertado pela garganta inchada, até explodir nos lábios na forma de um violentíssimo grito que, se tivesse sido tão alto quanto ela gostaria, teria sido ouvido pelo estado inteiro, e não só pela vizinhança."

Desenvolvimento e criação de sites

9 comentários:

  1. Acho ridículo isso de ler o livro conforme sua nacionalidade. quando pego um livro para ler, isso é uma preocupação que eu não tenho.
    Bjs, Rose

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  2. Muito bom. Também amo esse estilo de livros. Acho incrível esse negócio de zumbis. Muitas vezes me pego pensando se isso é possível. Será? Mais adorei seus comentários e vou experimentar ler esse livro escrito por um autor brasileiro. Obrigada pela indicação. Beijos.
    elizabethmsalles@hotmail.com

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  3. Não conhecia esse..mas com certeza ja estou colocando ele na minha lista :)
    Adoooro histórias de zumbis e fiquei ainda mais curiosa por essa ter sido escrita por um autor brasileiro *--*
    Sobre o que você disse..só acho que o verdadeiro leitor não se deixa influenciar por comentários negativos de um trailer mal produzido.
    Obrigada pela dica Gláucio e adorei a sua resenha!

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  4. Esse também está na minha lista de desejados (que é meio imensa, hehe). Ultimamente ando procurando bastante coisas sobre zumbis e tal, é um tema que me agrada muito =P

    Mas com relação aos nomes...Não sei. Assim, pelo que eu entendi, o livro não se passa no Brasil, então não vejo a necessidade dos nomes serem brasileiros, entende?
    Acho desagradavel quando o livro se passa aqui e tem mary, john, jake, ou coisa assim...Mas se não se passa aqui, apesar de ser nacional, não há problema de não encontrar um joão ali no meio...

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    1. O autor dá a entender de acordo com os cenários e citações de lembranças da vida dos personagens que a história se passa em São Paulo ou algum outro grande centro brasileiro.

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  5. Há séculos que digo que vou comprar e ler esse livro e sempre coloco outros na frente.
    Foi meio difícil não tentar comparar com The walking dead. Um grupo de sobreviventes, juntos em uma fortaleza, um vilão psicótico... Adoro a série de TV, os quadrinhos e os livros. Mas não sei se a aparente semelhança me faria desejar ler o livro ainda mais, ou recear lê-lo.
    Sou apaixonada por zumbis desde que meu primo me apresentou ao jogo Resident Evil aos meus 8 anos, a 10 atrás.
    Conhecia a obra já há algum tempo e confesso que não gostei muito do trailer quando o vi, mas ele foi o principal responsável por me deixar curiosa quanto a esta obra.
    Enfim, espero conseguir lê-la em breve.

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  6. Bom, esse não tenho coragem de ler, essa é a verdade. kk

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  7. Bom.. Amei a história do livro, e simplesmente adorei a capa. Okay, não coloco muita fé em livros brasileiros, até por causa de alguns desastres que já li por aí (ou seria por aqui? O.o)
    Acho que seria uma boa tentar dar uma chance ao livro.. Parabéns pela resenha.

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